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Olhar utópico sobre mundo em crise

Nadine Labaki esteve em agosto no Rio, para lançar E Agora, Onde Vamos? no Festival Varilux. Atriz, diretora e roteirista libanesa, ela virou referência no circuito de arte brasileiro graças ao sucesso de Caramelo. O novo filme integrou a seleção oficial de Cannes, em maio. Ganhou o prêmio do júri católico. Os mais críticos vão desclassificar E Agora...? como utopia. Mas isso seria se privar de mais uma demonstração das qualidades da bela Nadine.

O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2012 | 02h06

Há três meses, ela disse ao repórter que estava temerosa no Brasil. Não pela violência - "Quem vive em Beirute não se surpreende com mais nada". Ela tinha muita expectativa pelo País, que aprendeu a amar pela música. O marido compositor, Khaled Mouzamar, é fã da MPB. "Tinha mais medo do choque cultural do que da violência', confessou. E amou o Brasil, a cordialidade que encontrou no Rio.

Em 2009, numa questão de horas, o Líbano soçobrou numa onda de violência. Nadine queria falar sobre isso e foi assim que começou a se desenhar a história sobre uma mãe e até onde ela está disposta a ir para defender os filhos. Como em Caramelo, a base não é a história. Nadine queria falar da violência e seus efeitos sobre as pessoas, as mulheres.

Surgiu um espaço - o vilarejo destroçado pela guerra. Recentemente, em Cannes, Radu Mihaileanu também havia apresentado A Fonte das Mulheres, adaptado de Lisístrata, sobre mulheres que fazem greve de sexo para forçar os maridos a uma trégua, no mesmo e explosivo Oriente Médio. Nadine não se baseou na comédia de Aristófanes, mas admite que o conceito está no filme.

Ela reconhece o caráter utópico de E Agora, Onde Vamos?, mas o defende. Diz que o cinema tem mostrado muito o mundo, e o Oriente Médio, como são. Ela se permitiu mostrar como gostaria que fosse. Do instituto de beleza de Caramelo, saltou para a pequena cidade, um set muito maior e mais complexo como expressão do mundo em crise.

A música de E Agora...? mistura Oriente e Ocidente, como o próprio filme celebra elementos das cultura cristã, árabe e bizantina. Era fundamental que o multiculturalismo se manifestasse no visual e na trilha do filme. O trabalho com o marido foi fundamental. A trilha de E Agora...? nasceu com o roteiro. Nadine, tão bela, escolhe homens belos - o policial em Caramelo, aqui, o construtor civil. "Gosto de homens que tenham histórias de vida escritas na cara. É o que faz sua particular beleza."

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