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Olhar paródico aos super-heróis

O diretor Michel Gondry e o ator Seth Rogen contam como se divertiram com as filmagens de O Besouro Verde

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2011 | 00h00

Em Cancún, no México, onde a Columbia mostrou sua produção de 2010/2011 para jornalistas de todo o mundo - no evento chamado de Sony Summer -, não havia muito para exibir de O Besouro Verde. Duas ou três cenas, apenas, incluindo a da festa, no começo, e a destruição da redação do jornal. O diretor Michel Gondry e o ator Seth Rogen, em conversas com jornalistas, apresentaram muito mais uma carta de princípios, ou sugestões. O Besouro Verde foi meio que demolido pela imprensa dos EUA (e pelos fãs). Sem motivos: quem curte o estilo de Gondry vai desfrutar o seu olhar paródico sobre os super-heróis.

No México, o diretor já advertia que não trataria os super-heróis a sério. Deixava subtendido que não tinha a capacidade de Christopher Nolan para refazer a série Batman com Christian Bale. O Besouro Verde havia sido o primeiro projeto de Gondry em Hollywood, ainda nos anos 1990, mas a produção não foi adiante. Ao longo destes mais de dez anos, desde 1997, ele se estabeleceu como diretor (autor?) independente. Besouro é seu primeiro blockbuster.

Apesar das pressões do estúdio, ele admite que se divertiu filmando. Do seu roteiro original, quase nada sobrou - a pistola de gás, basicamente. Mas ele admite que o roteiro que Seth Rogen, que faz o protagonista, veio de encontro às suas expectativas. "Kato é a verdadeira alma do filme, o verdadeiro herói", ele esclarece. Já era assim na versão TV, que retomou o herói radiofônico. "Até hoje, se você assiste aos filmes antigos, só vai ter olhos para Bruce Lee." Os super-heróis nasceram na crise econômica dos anos 1930. Supriam carências e necessidades do público, que era, basicamente, mais ingênuo. "Hoje em dia não se pode tratar do assunto da mesma maneira, eu acho", diz o diretor. Rogen concorda: "É divertido bancar o super-herói, mas os nossos não têm, realmente, uma missão. Daí nosso enfoque, o humor, a paródia." Os fãs estrilam, mas pode-se divertir bastante assistindo a O Besouro Verde, ainda mais em 3-D. Uma regra que Gondry e Rogen seguem refere-se à presença da mulher. "Não queríamos carregar num subtexto gay, do tipo Batman e Robin. Queríamos uma secretária sexy. Quem mais sexy do que Cameron Diaz?"

O BESOURO VERDE. Nome original: The Green Hornet. Direção: Michel Gondry.

Gênero: Ação (EUA/ 2011, 119 min.). Censura: 12 anos.

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