Olhar crítico sobre os nerds marca diretor

O diretor David Fincher tem 48 anos. É da geração de Madonna, a quem, aliás, dirigiu em vários videoclipes (Bad Girl, por exemplo). Isso não fez dele um cineasta deslumbrado com o universo pop, mas um autor crítico e interessado em discutir o declínio da civilização ocidental, como provou em Seven (1995), um documento moral sobre nossa época, povoada de assassinos que cometem crimes punitivos adotando a religião como parâmetro - o serial killer do filme usa os sete pecados capitais de suas vítimas para justificar sua obscena chacina como se fosse um deus.

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2010 | 00h00

Mais alegórico ainda é Zodíaco (2006), em que a informação é o verdadeiro assassino à espreita na mídia histérica e obcecada por crimes.

Em ambos os casos, Fincher conduz seu olhar crítico não para os autores do crime, mas para a sociedade que produz esses criminosos. É o caso também de Clube da Luta (1999), brutal exercício sobre seres que se encontram para brigar, modo de se sentirem vivos numa sociedade de nerds programados para ganhar dinheiro e consumir. A alternativa, para Fincher, é nascer velho e morrer bebê, como em seu Benjamin Button: só assim seremos inocentes.

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