Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Olavo de Carvalho diz que Secretaria da Cultura está ‘acima da capacidade’ de Regina Duarte

'Peço ao presidente da República que me perdoe por ter endossado o nome dessa senhora para um cargo que está infinitamente acima da capacidade dela'

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2020 | 15h24

BRASÍLIA - Em ofensiva contra a atriz Regina Duarte, nova secretária especial da Cultura, o escritor Olavo de Carvalho usou as redes sociais para afirmar que ela não tem capacidade de exercer o cargo e pedir “perdão” ao presidente Jair Bolsonaro por ter apoiado a indicação dela.

“Peço ao presidente da República que me perdoe por ter endossado o nome dessa senhora para um cargo que está infinitamente acima da capacidade dela”, escreveu Olavo na noite desta quinta-feira, 5, no Facebook.

Tido como um guru filosófico e ideológico da família Bolsonaro, Olavo de Carvalho comparou o trabalho da atriz, que assumiu o cargo na quarta, 4, ao desempenho do dramaturgo Roberto Alvim, seu antecessor na pasta, demitido após divulgar um vídeo oficial de governo inspirado em frases e estética associadas ao nazismo.

“É óbvio que a Regina Duarte, exatamente como o seu antecessor, não tem a menor ideia do que está fazendo”, disse Olavo na mesma mensagem.

Nesta semana, Regina passou a ser alvo de uma campanha nas redes sociais que pedia sua saída antes mesmo da posse. O movimento é liderado por uma ala de apoiadores de Bolsonaro conhecida como olavista. Eles promoveram uma onda de pedidos de #ForaRegina, que alcançou destaque no Twitter.

O estopim foi uma série de demissões na antiga equipe de Alvim, que tinha aval do grupo ideológico de direita no governo e nas bases de apoio do presidente para ocupar cargos de direção e assessoramento na secretaria e em entidades vinculadas.

Regina pretende nomear no lugar deles pessoas da confiança dela, como o ator Carlos Vereza e o ex-presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte ) Humberto Braga.

Nesta sexta-feira, uma edição extra do Diário Oficial da União trouxe a nomeação de quatro cargos-chave na secretaria. A área de Economia Criativa ficou com o professor Aldo Valentim, que teve postos de chefia na prefeitura de São Paulo e no governo do Estado. A pasta de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual será chefiada pela advogada Alessandra da Silva. O comando da Secretaria de Difusão e Infraestrutura Cultura será exercido pelo fotógrafo Caio Fagundes, que já atuou nos mercados publicitário e artístico e passou pela prefeitura de São Paulo e Ministério da Economia.

Regina também indicou o novo presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Ela escolheu o advogado Pedro Machado, ex-presidente do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna (IAVAM) e da Associação dos Amigos do Museu de Arte Contemporânea (AAMAC) da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Arte Contemporânea (IAC). Ele foi ainda vice-presidente da Comissão de Cultura da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB/SP).

Explicação e veto

Olavo já havia dito que ele foi o responsável por aconselhar o presidente sobre a escolha da atriz e que, por isso, ela lhe deve explicação sobre as exonerações.  No Facebook, o presidente respondeu pessoalmente a críticas e reclamações de apoiadores contra a atriz, acusada de ser “de esquerda”. Bolsonaro pediu que eles indicassem os nomes dos demitidos.

Na posse, Bolsonaro indicara que teria poder de veto sobre as nomeações da atriz, apesar de Regina ter enfatizado uma promessa presidencial de que ela teria carta branca para montar sua equipe longe de interferências políticas. Bolsonaro disse, no entanto, que tem o poder de veto de alguns nomes.

O jornalista Sérgio Camargo, escolhido para chefiar a Fundação Palmares, disse que Regina pediu a sua exoneração, mas o que teria sido barrado Bolsonaro e pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Camargo não participou da cerimônia da posse da atriz.  "Minha exoneração foi exigida pela secretária Regina Duarte e vetada pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e pelo presidente Jair Bolsonaro. Sigo firme no cargo", disse Camargo. "Ela quer abrir diálogo com o movimento negro. Digo que é ingenuidade, para ser gentil", afirmou o jornalista.

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