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Okinawa entra em cena com espetáculos

Uma das mais ricas culturas orientais vem a SP hoje para duas raras apresentações na Liberdade

O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h11

Na era em que os samurais eram os grandes guardiões da cultura de Okinawa, reservando as manifestações apenas aos integrantes do reino, o povo da simpática ilha ao Sul do Japão conhecia pouco suas próprias tradições. Algumas, criadas para entreter diplomatas chineses que visitavam uma região ainda conhecida como Reinado de Ryukyu desenvolvia sua linguagem própria, com música e costumes que a Unesco trataria de designar patrimônio da humanidade em 2010.

A comunidade okinawana do bairro da Liberdade recebe hoje, em sua sede na Associação Okinawa Kenjin do Brasil, dois espetáculos enraizados em tradições que poucas vezes deixaram a província japonesa. Das 13h às 15h, o Teatro Clássico de Okinawa será encenado com três pequenas peças intercaladas por oito números musicais. Já das 17h às 19h, será a vez do Teatro Popular de Okinawa trazer o que os próprios japoneses chamam de Romeu e Julieta de Okinawa, com uma hora de duração e entrecortada por cinco números de dança okinawana.

O Teatro Clássico é conhecido na ilha como Komi Odori, mas traduções não são aconselhadas. Ao pé da letra, seria "dança em grupo", o que não transmite o espírito de montagens com elementos de ópera com mais de 300 anos de existência.

Foi só a partir de 1870, quando Okinawa deixou de ser reino independente para ser anexado ao Japão, que os samurais começaram a levar seus espetáculos para a população. Só então os japoneses conheceram suas particularidades: os atores, sempre homens, minimizam a expressão facial, canalizando todos os seus sentimentos para os gestos corporais. Os defensores da tradição se orgulham também de seus trajes. "Cada peça conta com um tipo de vestimenta específico. Há roupas feitas com seda e fibras de bananeira", diz o diretor artístico do projeto, Satoro Saito.

A cultura milenar okinawana, segundo Satoro, é cada vez mais recebida pela juventude japonesa. "Os jovens estão praticando, redescobrindo cada vez mais as tradições", diz Saito. A atenção pela preservação de elementos da região é cada vez maior. "O dialeto falado pelos okinawanos, por exemplo, está acabando", fala Saito.

O espetáculo ganha importância no quesito antropológico. Todos os números são apresentados no antigo idioma local, que mesmo um japonês não habituado à acentuação okinawana consegue entender. Mas o público em São Paulo ganha uma colher de chá. Todos os diálogos das peças terão tradução simultânea em um telão.

A música de Okinawa vale outro estudo. A formação do grupo de cordas e percussão vem com um tocador de sanshin, a viola de três cordas revestida com couro de cobra; um percussionista responsável pelo taiko, um dos tradicionais tambores japoneses; um especialista em koto, a harpa de 13 cordas okinawana; e o tocador de fuê, a flauta japonesa.

Chamada por japoneses que conhecem o Brasil como "o Nordeste" do Japão, Okinawa tem um povo receptivo e festeiro. Por ser destino de diferentes povos e ter uma história que narra episódios de invasões e batalhas Okinawa formou-se de uma população que se diferencia dos japoneses de Tóquio. O clã feudal de Satsuma, atual Kagoshima, tomou a ilha no século 16, quando sua população teve o porte de armas proibido. Há correntes que afirmam que é desta época a origem do caratê.

Em 1945, logo depois da Segunda Guerra Mundial e da Batalha de Okinawa, a ilha permaneceu sob a administração dos Estados Unidos por 27 anos. Os norte-americanos criaram em suas dependências várias bases militares por considerar a região um ponto estratégico. O Japão só retomou sua pérola do Sul em 1972.

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