Oito amigos de bar para você escolher o seu

Confira bares onde você sempre vai achar alguém para bater um bom papo

07 de maio de 2010 | 04h00

Está se sentindo só? Precisa conversar? Encontre um amigo no bar. Pode ser o dono, o garçom ou o barman

 

Dinho Luiz - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - É no bar que você encontra os amigos. O Divirta-se selecionou oito estabelecimentos onde você sempre vai achar alguém para bater um bom papo, mesmo que saia de casa sem ter marcado com ninguém. É que os amigos em

questão são donos ou funcionários desses bares - que oferecem boa companhia como cortesia da casa. Eles podem falar sobre esportes, religião, automóveis, costumes, atualidades e até sobre um problema pessoal que você queira compartilhar. Consulte este nosso cardápio de assuntos antes de pedir uma cerveja. Seus novos amigos de bar estão prontos para comentar as

notícias do dia, ouvir seus problemas e até ninar seu bebê. Também sugerimos bebidas e petiscos para acompanhar a conversa. Então, conheça Wilson Leonel (Bar do Leonel), Toninho (Mercearia Santo Antônio), Dona Felicidade (do bar homônimo) Ailton (o célebre garçom do Genial), Luisa Saliba (Rota do Acarajé) e os barmen Pereira (Astor), Kascão (Paribar) e Souza (Veloso). E puxe uma conversa.

 

Wilson Leonel - "Joinha?" É com esse bordão que Wilson Leonel recebe a freguesia em seu boteco desde 1964. Que tipo de assunto mais lhe agrada?

Dono de bar tem que entender de tudo. Porque cada mesa é um assunto, um problema. Somos psicólogos. A que horas começa a sessão de terapia do Dr. Leonel? Depois da meia-noite, em geral, quando ficam só os ‘problemáticos’. Que tipo de conselho você dá aos boêmios? Procuro captar a energia do cliente. Às vezes, ele só quer desabafar. Sou sincero. Às vezes, não concordo com o ponto de vista dele. Ao contrário do que se diz, cliente nem sempre tem razão.

Harmonize o papo com generosas tábuas de frios (gorgonzola dinamarquês, parmesão e salame). As porções não têm preço fixo e você pode acertar o quanto quer pagar com o dono (mais um pretexto para uma abordagem). Para beber, escolha uma cachacinha entre mais de 500 opções enfileiradas nas prateleiras. A mais pedida é a mineira Vale Verde (R$ 5, a dose).

Bar do Leonel. R. Emília Marengo, 468, Tatuapé.

 

Ailton da Silva - Depois de trabalhar por pouco mais de oito anos no Filial, o garçom Ailton Manoel da Silva, há um mês no Genial, diz ter se acostumado a atender - e conversar com - "gente da mídia". Por isso, é uma ótima fonte para você se atualizar sobre os fatos do dia. Mas, se precisar, a conversa pode seguir outro rumo. "É mais fácil se abrir com alguém que não se vê sempre", diz o garçom, que já fez grandes amigos no trabalho. "O mínimo que o cliente espera, além de um bom chope, é carinho de quem atende."

No Genial, o chope bem-tirado é quase ofuscado pelos petiscos da casa. Ailton recomenda o bolinho de polvo (R$ 18, a porção) e elogia a tigelinha de bacalhau (R$ 16). Se a conversa for longe, prove também o pastel com massa de polenta (R$ 24, a porção).

R. Girassol, 374, V. Madalena, 3812-7442.

 

Toninho - Antônio Parente de Sousa, o Toninho, é um faz-tudo no bar Mercearia Seu Antônio. E está sempre disposto a conversar sobre qualquer tema (ainda que ele não domine o assunto). "Não entendo nada sobre futebol, mas gosto de tirar um sarro dos torcedores", diz. Ele entende mesmo é de carros antigos. Mas também gosta de falar sobre o filho Tonico, essa fofurinha de quatro meses.

No enxuto cardápio (de preços honestíssimos), há poucas opções para animar o bate-papo. Experimente o bem-temperado caldinho de feijão (R$ 5) ou escolha um dos acepipes (R$ 40, o quilo) dispostos no balcão.Para beber, cerveja Original (R$ 5) ou cachaça Seleta (R$ 5, a dose). A casa também serve vinho em taça. O argentino Les Mercedes sai por R$ 6.

R. Dr. Miranda de Azevedo, 698, Pompeia, 3672-1286. Cc.: V.

 

Dona Felicidade - O sorriso tímido é só para a foto. Felicidade Conceição Bastos, de 84 anos, é a principal atração no salão do bar que leva o seu nome. "Percebo que as pessoas ficam esperando a minha presença nas mesas", diz Felicidade. Com ela, o tema é livre, mas a comerciante é especialista em assuntos de família. Ela sabe ninar bebês e apaziguar brigas de casal. "A Felicidade mora aqui", diz, brincando consigo mesma.

No extenso cardápio, procure pela Picanha no réchaud (R$ 62), com saborosos pedaços de bacon. Mas o sucesso da casa são as sobremesas feitas por Dona Felicidade, como o Desmaiado (R$ 8, pudim de leite condensado, batido com coco e maria-mole). Para beber, 38 rótulos de cervejas nacionais e importadas. A Original sai por R$ 6,70 e a uruguaia Norteña custa R$ 15,50.

Dona Felicidade. R. Tito, 21, V. Romana, 3864-3866.

 

Luisa Saliba - A ruiva de roupa branca no centro da foto é a paulistana Luisa Saliba. Ela era professora universitária antes de abrir o bar Rota do Acarajé. Aprendeu a fazer o quitute baiano com a antiga sócia soteropolitana. "Um bom acarajé deve ser frito na hora e servido quando a massa estiver dourada e crocante", ensina Luisa, que instalou uma mesa próxima à sua bancada para não perder a prosa com a freguesia. O acarajé é sempre um bom começo de conversa com a quituteira - ela adora contar que o feijão fradinho é trazido da Bahia e fica quatro horas de molho para, enfim, ser descascado e moído por seu marido, Gil. Ela também ensina que acarajé é uma comida espiritualizada, servida em rituais para Iansã (entidade do candomblé). "Iansã é a dona do acarajé. Durante o preparo, ninguém pode beber álcool", afirma Luisa, que é descendente de italianos e libaneses. Ela se incomoda quando alguém pergunta sobre a sua opção pela culinária baiana. "Faço comida baiana porque sou brasileira!" Evite, então, este tema delicado.

Prove os acarajés com vatapá, caruru, camarão seco e salada, tudo como se fosse em Salvador. Na mão, sai por R$ 9,20; no prato, R$ 12, cada. Experimente também o abará (R$ 12), o arrumadinho de carne de sol (R$ 45) e o caldinho de feijão (R$ 11). Para beber, invista na afamada ‘Caipirinha do Gil’ (R$ 17), feita com cachaça Mato Dentro, licor de jabuticaba e maracujá.

R. Martim Francisco, 529, S. Cecília, 3668-6222.

 

 

Três barman - O balcão de um bar é um divã informal. Três barmen contam o que mais ouvem enquanto preparam seus drinques. Sem citar nomes, claro

 

Lucivaldo Pereira da Silva: Mais conhecido como Pereira, é o barman do badalado Sub Astor. Ele conta que futebol, negócios, mulheres e traições são os principais assuntos discutidos no seu balcão. "Já vi homem chorando porque foi traído pela mulher. Quando isso acontece, peço que ele não beba muito, esqueça a garota e esfrie a cabeça. No fim da noite, já somos amigos", diz.

Sub Astor. R, Delfina, 163, V. Madalena, 3815-1364.

 

Deusdete Souza: "As pessoas ficam mais soltas depois de uns drinques. Um bom barman deve manter a discrição. Ele vê tudo, mas não ouve nada", ensina Deusdete Souza, que comanda as coqueteleiras do bar Veloso. No seu balcão, os assuntos mais comentados pela clientela masculina são o trânsito, o futebol e a melhor noite para paquerar no bar. "As mulheres são maioria nas noites de quarta-feira", recomenda Souza.

Veloso. Rua Conceição Veloso, 56, Vila Mariana, 5572-0254.

 

Kascão: "Não tenho censura. No meu balcão, falo sobre política, religião, futebol... Aqui (no bar), torço para todos os times," brinca o experiente Kascão, do Paribar, que também adora papear sobre a origem e as curiosidades do mítico coquetel dry Martini.

Paribar. Pça. Dom José Gaspar, 42, Centro, 3237-0771.

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