Oiticica total

A partir de sábado, para marcar os 30 anos de morte do criador dos parangolés, todas as fases de sua obra experimental estarão na mostra Museu É o Mundo, em seis endereços de SP

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

Hélio Oiticica (1937-1980) queria que suas obras estivessem na Tate, de Londres, mas também que transbordassem dos museus - ou de sua cabeça - para as ruas, convocando a participação das pessoas. "Ele tinha absoluta certeza da posteridade da obra dele", diz César Oiticica Filho, sobrinho do artista carioca. Não para menos, Hélio Oiticica se tornou um dos mais referentes criadores brasileiros ao integrar e ser um dos propulsores de uma geração que, a partir do fim da década de 1950, "criou uma genealogia da arte brasileira, produziu um modelo de atitude, de vanguarda", como afirma o curador Fernando Cocchiarale. É que o artista começou sua carreira pintando na corrente concretista, mas já diferente e jovem achava que pintura não podia ser "sinônimo de quadro": sua "salvação" era ser mais que uma tela; poder ser vestida pelas pessoas (ao que deu nome de parangolés); transformar-se em instalações/ambientes que chamam até hoje o público a participar de uma obra (seus famosos "penetráveis").

Há um legado inquestionável de Oiticica para a arte brasileira e, ao mesmo tempo, uma necessidade extemporânea de se ver/rever/experimentar ou mesmo conhecer a produção desse carioca e seu processo de criação.

Tributo. Foi como uma homenagem ligada à efeméride de 30 anos de morte do artista que o Itaú Cultural convidou César Oiticica Filho - responsável, com seu pai, pelo Projeto Oiticica, no Rio - e o curador Fernando Cocchiarale para a realização de uma grande exposição em torno da carreira desse criador. O resultado dessa iniciativa é, agora, a mostra Hélio Oiticica - Museu É o Mundo, que será inaugurada no sábado, às 11 h para convidados e a partir de domingo para o público no Itaú Cultural.

Voz. A exposição apresenta a produção do artista da década de 1950 em diante, por meio de mais de uma centena de obras e ainda através da voz do próprio Oiticica, ou seja, por meio de seus escritos, transcritos. "A mostra é o processo cristalino dele. Não conheço artista que tenha tido uma consciência como a de Hélio", diz Cocchiarale. "Para mim anotações e não formulações de ideias são mais importantes", bradou Oiticica em 1961.

Entretanto, para ser ainda mais coerente e fiel aos pensamentos do artista, a exposição se expande para a cidade, não se encarcerando no Itaú Cultural. A partir de sábado, uma série das instalações "penetráveis" concebidas por Hélio Oiticica desde a década de 1960 ficarão abrigadas em outros cinco lugares de São Paulo (além do Itaú Cultural, os locais são: Parque do Ibirapuera, Teatro Oficina, Pinacoteca do Estado, Parque Mario Covas e Casa das Rosas). Afinal, como afirmou o próprio Oiticica em 1966, "museu é o mundo; é a experiência Cotidiana".

Palavra do artista

"Minha evolução visa uma vivência total do espectador, que chamo de participador"

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