Oficina retoma saga sobre Cacilda Becker

Obra foca maturidade artística da intérprete

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S. Paulo

13 de dezembro de 2013 | 21h45

A vida de Cacilda Becker continua a alimentar o espírito criativo de José Celso Martinez Corrêa. Estreia hoje, no Teatro Oficina, a quarta etapa de sua saga sobre a atriz: Cacilda!!!! – A Fábrica de Cinema & Teatro.

Na obra, que o diretor escreveu em parceria com o ator Marcelo Drummond, foca-se a maturidade artística da mítica intérprete. Os anos de 1940 e 50 no TBC – Teatro Brasileiro de Comédia, além do nascimento da companhia Vera Cruz, o mais importante estúdio cinematográfico da época. “Era o período em que Cacilda estava caminhando para o seu apogeu, que viria logo depois, com Pega-Fogo”, relembra o encenador.

Com apenas cinco sessões previstas para 2013, o espetáculo dá continuidade a um trabalho que Zé Celso iniciou no final dos anos 1990, tendo Giulia Gam, Bete Coelho e Leona Cavalli como protagonistas. À época, já ficava evidente o ponto de vista que o diretor abraçava para olhar essa trajetória. “Trago fatos históricos, mas o que está em cena é uma personagem em estado de delírio, é o meu próprio delírio”, comenta Zé Celso.

O estado delirante de Cacilda remete ao período em que a atriz esteve em coma: os 39 dias que separam o derrame cerebral que sofreu em cima do palco, enquanto encenava Esperando Godot, e sua morte. Tal liberdade permite à atual montagem mesclar, por exemplo, o surgimento da Vera Cruz ao nascimento do filho da atriz, unindo os dois acontecimentos em um parto simbólico.

Assim como já ocorria no espetáculo anterior do Oficina (Cacilda Becker – Glória do TBC), são as atrizes Camila Mota e Sylvia Prado que tomam o lugar de Cacilda. Revezando-se no papel, elas mostram a relação da atriz com os grandes diretores estrangeiros da época Luciano Salce, Ziembinski, Ruggero Jacobbi. Nessa toada, a criação também revisita importantes peças teatrais que Cacilda interpretou na época: Entre Quatro Paredes, de Jean-Paul Sartre, Nick Bar – Álcool, Brinquedos, Ambições, de Willian Saroyan, Paiol Velho, de Abílio Pereira de Almeida.

Para o próximo ano, uma quinta montagem sobre a mesma temática está prevista. Depois, os planos do Oficina incluem uma versão de A Tempestade, de William Shakespeare. A última e sexta parte da saga, o diretor já intitulou de Cacilda e Walmor. “Com o suicídio, Walmor Chagas adquire a mesma estatura trágica de Cacilda”, diz Zé Celso. “Eles não foram apenas marido e mulher. Cacilda enxergava nele alguém com quem podia dialogar artisticamente.” Mas essa montagem derradeira ainda não tem data de estreia prevista.

“Foi um ano muito cansativo. Ensaiamos a terceira e a quarta partes ao mesmo tempo. O dinheiro demorou a chegar. Tivemos muitas dificuldades. Quero tirar um tempo porque o teatro precisa de uma revolução interna e externa”, pontua o encenador.

No dia 23, o Oficina realiza uma sessão especial, às 14h30, de Cacilda!!!! - A Fábrica de Cinema & Teatro em homenagem ao diretor Luis Antônio Martinez Corrêa, morto em 1987. Na mesma data, à noite, ocorre também o lançamento do livro Oficina 50+, Labirinto da Criação, que compila fatos dos 55 anos de existência do teatro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.