Oficina participa da bienal e lança DVDS de os sertões

Zé Celso Martinez Corrêa diz que este é um ano terrível. Comenta que anda um tanto atribulado. Só no último mês passou por Belo Horizonte, Belém e Manaus, apresentando peças do repertório do Teatro Oficina. Mas faz questão de ressalvar que não está reclamando. Gosta que seja assim: tudo ao mesmo tempo.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

É dentro desse espírito que o diretor se desdobra em duas atividades nos próximos dias. No domingo, leva 50 artistas ao pavilhão da Bienal para uma performance inspirada em Flávio de Carvalho. E apresenta, no dia seguinte, a versão filmada de Os Sertões, que será exibida ao público no cinema e lançada, posteriormente, em DVD.

Para sua participação na 29.ª Bienal de São Paulo, Zé Celso foi beber em O Bailado do Deus Morto, mítica obra teatral de Flávio de Carvalho. Montada pela primeira vez em 1993, a peça surgia como materialização das ideias do artista sobre o "Teatro Experiência" e escandalizou a sociedade da época com atores que falavam na morte de Deus e louvavam uma divindade animal.

Em sua releitura, o Oficina fez aquilo que o diretor chamou de inversão. "O texto é muito bonito, mas excessivamente choroso. Nós o transformamos em uma exaltação."

Não se perdeu, porém, a concepção antropofágica que cerca o Bailado. "Flávio tinha a mesma concepção antropofágica dos índios, que acreditam que Deus está no animal, que a gente é bicho", lembra Zé Celso, que vai promover uma "grande devoração da figura do Flávio de Carvalho".

Sua encenação, que deve ter início do lado de fora do prédio do Ibirapuera, vai percorrer os corredores do edifício e eleger a rampa projetada por Niemeyer como palco principal. De acordo com ele, "o público deverá viver esse percurso como um ritual".

Na tela grande. Foram mais de sete anos dedicados à transposição da monumental obra de Euclides da Cunha, Os Sertões, para o teatro. Tudo isso foi documentado, resultou em mais de 810 horas de gravação e gerou os cinco filmes que serão exibidos na segunda, no cinema da Livraria Cultura, no Conjunto Nacional. Em novembro, eles serão lançados também em DVD.

Apesar de assinar a coordenação geral do projeto, Zé Celso entregou a direção de cada um dos filmes a um diretor diferente. "Não fizemos teatro filmado, mas filmes criados a partir de peças, com uma direção cinematográfica e câmeras autorais."

OFICINA

Pavilhão da Bienal.

Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, 5576-7600. Dom., 15h.Grátis.

Cine Livraria Cultura. Av. Paulista, 2.073, 3285-3696. 2ª, 20h; 3ª a 6ª, 18h. Grátis.

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