Oficina musical para todos

Em sua quarta edição, evento no Ceará ganha público e maior participação de aprendizes

LAURO LISBOA GARCIA, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2012 | 02h10

JERICOACOARA - Nas ruas de areia, a população da vila comentava que esta foi a melhor edição do festival Choro Jazz Jericoacoara. Muitos visitantes de várias partes do Brasil e do exterior, que estiveram aqui nos anos anteriores, voltaram para acompanhar a série de shows e oficinas durante seis dias. Consolidado localmente e com repercussão internacional, o evento, que passou a integrar o seletivo Womex (European Forum of Worldwide Music Festivals), também estendeu as asas sobre Fortaleza em bem-sucedida investida na semana anterior.

De fato, a reação do público e o maior número de visitantes, músicos nas funções de professores e alunos que acorreram com entusiasmo impressionante aos shows e, principalmente, às oficinas, confirmam a opinião geral. "Em 2009, as oficinas tinham um cunho social de um trabalho mais das pessoas da região. Hoje a gente vê que isso mudou, não só com mais gente daqui, como com outras partes do Brasil", observa o produtor César Carrilho, coordenador dos workshops. É nesse aspecto que o festival - que "já começou grande", como diz seu idealizador, o produtor Capucho - cresceu mais e mostrou a que veio: formação de instrumentistas e de plateia, com música que prima pela excelência artística e vai além do choro e do jazz.

Com o funcionamento da escola de música Choro Jazz desde o início do ano, aprendizes de Arismar do Espírito Santo, Alessandro Penezzi, Maurício Carrilho e outros músicos do mesmo calibre passaram a ser professores locais. Na abertura do festival, com arranjos do tecladista Jânio Silva, de 23 anos, ao lado do guitarrista Giuliano Eriston, de 15, e seu irmão, o percussionista e baterista Marcos Vinicius, de 17, o resultado do investimento ficou evidente. "Desde o primeiro tem gente sempre vindo. Todo mundo está evoluindo e vem chegando mais gente. Este ano acho que teve o dobro. Capucho arrumou o centro comunitário pra galera ter onde ficar, dormir e se alimentar, isso tem ajudado muito", diz Jânio.

O show do Bandão Choro e Jazz, formado por esses novos "formadores" e seus alunos - com participações de Arismar e Teco Cardoso -, arrancou elogios de feras como Cristóvão Bastos e Sergio Assad. "Eles estão absorvendo ao máximo do jeito mais puro, que é tocar. São todos valentes. Cada um toca de acordo com sua facilidade. Estamos num lugar superdiferente fazendo música diferente, está tudo certo. Essa é a harmonia", diz Arismar, que já virou uma espécie de emblema do festival, toca no palco com diversos parceiros tocando inúmeros instrumentos, nas rodas de choro improvisadas e ministrando oficinas de prática de conjunto desde a primeira edição.

O bom humor de Arismar (o que é mais um atrativo para os jovens aprendizes) parece ter se expandido por todas as oficinas este ano, entre elas a do cantor Filó Machado, estreante no evento, que já planeja a volta em 2013. "Pra mim, foi uma surpresa maravilhosa, por ter encontrado profissionais e semiprofissionais empenhados, cantores e instrumentistas misturados. Minha oficina é de vida musical e o pessoal absorveu isso de uma maneira muito bacana.

Tanto Filó, Arismar, Fábio Pascoal e outros formam coro ao defender a apresentação do resultado das oficinas no palco do festival, como ocorreu no ano passado, por iniciativa de Pascoal, e se ampliou nesta edição. É uma grande motivação para os alunos. "Ao contrário das outras oficinas, na minha de percussão muita gente vai sem saber tocar. Alguns que vieram no ano passado e não sabiam nada voltaram já sabendo tocar. Porque o menino que aprendeu e está ensinando agora deu uma continuidade que antes não tinha", diz Pascoal. "Este ano fluiu tudo melhor."

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