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Ocupações continuam até a saída do presidente em exercício Michel Temer, dizem militantes

Grupo de ocupantes divulgou manifesto citando ontem como 'dia histórico' na tomada de prédios públicos

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 18h58

RIO - Enquanto o ministro da Cultura, Marcelo Calero, era empossado em Brasília pelo presidente em exercício, Michel Temer, o Ocupa MinC RJ, movimento de ocupação da sede ministerial no estado, anunciava: todas as unidades da Federação estão com escritórios do ministério, da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tomados por militantes contrários ao governo Temer. A tomada dos prédios começou em Belo Horizonte, no domingo retrasado, dois dias após a extinção do MinC. A notícia de sua recriação, no sábado, não mudou a disposição dos ocupantes, que se comunicam por Facebook, WhatsApp e Telegram, para manter o discurso alinhado.

"Nossa pauta é nacional. Temos fôlego para continuar as ocupações. O vazamento (do áudio do ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá) só comprova por que chamamos o golpe assim. Se alguém tinha alguma dúvida, a gravação deixou explícito que o objetivo era derrubar a presidenta eleita, barrar a operação Lava Jato", disse a atriz e professora Ana Lúcia Pardo, da ocupação do Rio.

O grupo divulgou manifesto que define ontem como "uma data histórica para a cultura brasileira", pela ocupação dos 27 Estados simultaneamente à posse de Calero "como ministro do Golpe de Estado na Cultura". "Os artistas e trabalhadores da cultura, cidadãs e cidadãos que permanecem ocupados em equipamentos do Ministério da Cultura em todo o Brasil, não reconhecem a legitimidade desse autointitulado governo interino."

Atores, bailarinos, dramaturgos, produtores culturais e professores de todos os setores das artes e da comunicação se  instalaram no último dia 16 no segundo andar do Palácio Gustavo Capanema, sede da representação do MinC para o Rio e o Espírito Santo e da Funarte, Iphan, Fundação Palmares e demais órgãos federais de cultura. Eles recebem doações de alimentos, remédios, roupa de cama, material de limpeza e para confecção de cartazes. De noite, cerca de 50 dormem em colchonetes, em esquema de revezamento. De dia, aumenta a frequência, por causa de plenárias, aulas, oficinas, saraus de poesia, sessões de cinema, shows e performances realizados entre os pilotis e no mezanino.

O movimento se declara apartidário. Nos últimos dias, receberam políticos do PSOL, os deputados federais Jean Wyllys e Chico Alencar e o estadual Marcelo Freixo, e a deputada federal Jandira Feghali, do PCdoB, que discursaram contra o governo. Artistas de expressão nacional, como Marieta Severo, Renata Sorrah, Camila Pitanga, Aderbal Freire-Filho, Patricia Pillar, Jards Macalé, Andrea Beltrão e Ruy Guerra foram lá e gravaram vídeos de apoio aos manifestantes.  Artistas como Caetano Veloso e Erasmo Carlos fizeram shows, mas não gritaram "Fora Temer". 

Os ocupantes, que usam identificação para entrar e sair, montam uma programação diária. Ontem, havia 80 atrações na lista para apresentações nos próximos dias. Tudo é definido em reuniões dos grupos de trabalho de diferentes áreas, como comunicação e segurança. Enquanto isso, os servidores, que não tomam partido, trabalham normalmente. Um carro da Polícia Militar (PM) está desde o primeiro momento na porta do prédio, mas ainda não houve conflitos. O ministro já disse que será preciso desocupar os edifícios, para a retomada da rotina.

Quem não é funcionário e chega à portaria do Capanema é orientado pelos seguranças a se identificar no balcão, como ocorria antes. Os que se dirigem ao segundo andar têm de anotar nome e documento de identificação num caderno, controlado por manifestantes. Anteontem, um homem que se identificou como membro do grupo de direita Revoltados Online passou pelo controle sem dar o nome e fez breve discurso contra o movimento. Houve discussão, e ele foi embora.

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