Octeto traz a mágica de Berlim

Músicos da célebre filarmônica da capital alemã tocam Beethoven, Mozart e Schubert na Sala São Paulo

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2011 | 00h00

O que faz uma grande orquestra? Há várias explicações possíveis. Boas escolas, a tradição passada entre gerações e o contato com grandes regentes com certeza estão entre elas. Mas também a constante reciclagem dos artistas, o que pode se dar pela dedicação paralela à música de câmara, o que exige a manutenção do apuro técnico e mantém limpo o som individual de cada um deles.

Não por acaso, alguns dos principais conjuntos sinfônicos do mundo mantêm séries dedicadas ao repertório camerístico, incentivando seus integrantes a montar conjuntos de câmara entre si, o que ocorreu também com a Sinfônica do Estado de São Paulo durante os anos em que passou pela reestruturação promovida pelo maestro John Neschling.

Na Alemanha, essa é uma tradição antiga, a qual pertence o Octeto da Filarmônica de Berlim, que faz hoje e amanhã dois concertos na Sala São Paulo, dentro da temporada internacional do Mozarteum Brasileiro.

Os grupos da filarmônica ganharam mundo afora importância comparável ao do conjunto original. Os octetos de metais e violoncelos, por exemplo, têm gravações celebradas de um vasto repertório, que inclui até obras de autores brasileiros, como Villa-Lobos. E o mesmo vale para o octeto que agora visita o País, formado atualmente por Lorenz Nasturica e Romano Tommasini (violinos), Wolfgang Talirz (viola), David Adorjan (violoncelo), Esko Laine (contrabaixo), Wenzel Fuchs (clarineta), Radek Baborak (trompa) e Bence Boganyi (fagote).

O grupo acaba de completar 70 anos e, desde que foi fundado, já teve em seus quadros músicos lendários, como o violinista Spivakosvki e o violoncelista Piatigorsky. Desde o final dos anos 70, quando fez seus primeiros concertos em Israel e na União Soviética, faz turnês regulares pelos Estados Unidos e Europa, e é convidado frequente de festivais como os de Salzburg, Lucerna, Edimburgo e Berlim.

Repertório. Uma das provas da importância que a formação ganhou nas últimas décadas é o fato de que diversos compositores escreveram obras especificamente para ela. Caso, por exemplo, de Paul Hindemith, nos anos 50, ou de Hans Werner Henze, Boris Blacher, Werner Thärichen, Karl Heinz Wahren, Karlheinz Stockhausen e Isang Yun.

Durante os concertos, os músicos do Octeto se apresentam em diversas formações, como mostram os dois programas que executam na passagem por São Paulo. Hoje, tocam o Divertimento K. 138 e o Quinteto para Clarineta e Cordas, de Mozart, e o Septeto Op. 20, de Beethoven. Amanhã, repetem o Divertimento e, também de Mozart, oferecem leitura do Quinteto para Trompa e Cordas; na segunda parte, a atração é o Octeto Op. 166, D. 803, de Schubert.

OCTETO DA FILARMÔNICA DE BERLIM

Sala São Paulo. Praça Júlio Prestes, 16. Inf. 4003-1212. Hoje e amanhã, às 21 h. R$ 70/ R$ 200.

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