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Obras inéditas do barroco paulista vão percorrer o País

Conjunto de obras reforça a teoria de que o barroco brasileiro teve início no interior de São Paulo

José Maria Tomazela/ Sorocaba, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2013 | 14h21

Uma escultura de Nossa Senhora da Penha, em barro cozido, atribuída a um mestre da região de Sorocaba intriga pesquisadores da arte colonial brasileira. A pequena imagem é muito semelhante à outra, em tamanho maior, guardada a sete chaves em Porto Feliz e que teria sido confeccionada em 1728 para ocupar o altar principal da igreja de Nossa Senhora da Penha da então Araritaguaba. O Livro do Tombo número 1 da paróquia faz referência a "uma imagem majestosa e perfeita", mandada vir especialmente para ser posta no altar. Ninguém sabe, porém, quem foi o "mestre ativo de Sorocaba", como ficou conhecido o autor das imagens.

Uma coleção de obras de arte que tenta desvendar os primórdios do barroco brasileiro vai viajar pelo Brasil a partir do próximo ano. O ciclo será inaugurado dia 18 de março em Brasília, durante as comemorações do aniversário da capital federal, e se estenderá até 2015, passando por outras capitais, como Recife e Fortaleza. Para o pesquisador ituano Marcelo Galvão de Souza Lima, curador da exposição, o artista misterioso pode ter sido discípulo de frei Agostinho de Jesus (1600-1661), carioca que viveu em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo. O frade é famoso por ter confeccionado a imagem de Nossa Senhora da Conceição em terracota que, encontrada nas águas do Rio Paraíba do Sul em meados de 1717, deu início à devoção de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

A exposição mostra outra obra inédita atribuída a frei Agostinho, uma Nossa Senhora da Expectação, também em barro cozido, e com características semelhantes à da Conceição que se tornou Aparecida. De acordo com Galvão, o conjunto de obras reforça a teoria de que o barroco brasileiro teve início no interior de São Paulo, com artistas conhecidos, como frei Agostinho de Jesus e seu mestre, frei Agostinho da Piedade, e de outros não conhecidos, como o mestre de Sorocaba. O movimento atingiu o auge com artistas mineiros como Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Obras atribuídas recentemente a Aleijadinho, de cuja morte se comemora o bicentenário, também estarão na mostra. 

O curador destaca que muitas dessas esculturas jamais foram vistas em exposição. "Conseguimos garimpar verdadeiras joias provenientes de oratórios caseiros de famílias tradicionais paulistas e mineiras." Alguns relicários farão parte da mostra, que apresentará cerca de 60 peças. Em Brasília, a exposição "Berço do Barroco Brasileiro e seu apogeu com Aleijadinho" terá apoio da Caixa Cultural. O acervo segue depois para Recife (27/10) e Fortaleza (13/01/2015), mas outras capitais ainda podem entrar no roteiro.

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