Obras especiais estarão expostas em espaços além do Pavilhão do Ibirapuera

Para curador, 'Bienal precisa da cidade'; veja o mapa completo da exposição

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2012 | 03h10

"Há uma posição demagógica que diz que a cidade precisa da Bienal. Sejamos realistas: a Bienal é que precisa da cidade", diz o curador da 30.ª edição do evento, o venezuelano Luis Pérez-Oramas. Quando convidado a realizar a concepção da mostra, Oramas afirmou que fazer o diálogo entre a exposição no Pavilhão do Ibirapuera, "enorme, emblemático do projeto moderno, lindo e complicadíssimo", com a metrópole seria fundamental. Não é possível ocupar uma cidade como São Paulo - tão "complexa e com um tecido antropológico inimaginável" e tão diferente de Veneza e Kassel, como diz Oramas. Mas a 30.ª Bienal espalha-se, sim, pela cidade, com obras especiais a serem apresentadas em instituições e localidades para além do Ibirapuera.

No Masp, por exemplo, a pintora alemã Jutta Koether exibe, em meio a uma das mostras permanentes do acervo do museu, três pinturas que dialogam com o quadro Himeneu Travestido Assistindo a uma Dança em Honra a Príapo (1634-1638), do pintor francês Nicolas Poussin. "Jutta se interessa por Poussin há vários anos, já fez remakes de pinturas dele em vários lugares do mundo. Conhecemos a obra dela através desse entusiasmo pelo pintor e o Masp, conhecido, tem essa pintura dele emblemática, restaurada", conta Tobi Maier, curador associado da 30.ª Bienal. No Masp, ainda, o artista espanhol Benet Rossell exibe um filme dos anos 1970 feito em Paris. A mostra da Bienal no museu será inaugurada na terça-feira.

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"Depois de muita discussão, optamos por trabalhar com instituições ou museus que têm a questão do acervo e também há obras que de fato teriam de estar na cidade", define Oramas.

Outro exemplo de trabalho realizado em uma instituição museológica é o do artista português Hugo Canoilas, obra que poderá ser vista a partir de quarta-feira, na Casa do Bandeirante, uma das unidades do Museu da Cidade de São Paulo da Prefeitura. "Quando visitamos as instituições e os estúdios dos artistas, as escolhas dos lugares foram naturais. Hugo fez viagens pelo interior de São Paulo e seguiu o caminho dos Bandeirantes. Criou, assim, quatro filmes e grandes pinturas sobre o estado atual das comunidades fundadas em lugares pelos quais os Bandeirantes passaram e sobre o Rio Tietê. Sua mostra também inclui objetos do acervo do Museu da Cidade, ou seja, a museografia inclui um acervo histórico de São Paulo", conta Maier.

Já na Estação da Luz, em meio aos transeuntes diários, será recriada uma obra histórica da alemã Charlotte Posenenske (1930-1985), que ficará em cartaz entre terça-feira e 9 de dezembro. "Charlotte foi recém-descoberta nos EUA no contexto do minimalismo e da estética relacional, mas ela sempre queria mostrar suas obras em lugares de grande circulação. Nos anos 60, 70 e 80 e após sua morte, seus trabalhos já foram exibidos ou executados por outros artistas em locais como o aeroporto de Frankfurt. Queríamos reevocar esse sentido da obra de Charlotte Posenenske e, ao mesmo tempo, era interessante trazer seu trabalho para dialogar com o concretismo brasileiro", diz o curador associado da Bienal.

Outra obra "de rua" é a do argentino Leandro Tartaglia - o visitante da mostra sairá do pavilhão no Ibirapuera para uma viagem sonora criada pelo artista cujo trajeto tem ponto final na Capela do Morumbi. Nesse espaço, ainda, o público encontrará uma instalação de som da compositora e performer norte-americana Maryanne Amacher (1938-2009), discípula de John Cage. Nas ruas, também, o brasileiro Alexandre Navarro Moreira colocará displays em bancas de jornais da Avenida Paulista.

Há outras exposições ainda no segmento Bienal na Cidade. O Museu de Arte Brasileira (MAB) da Faap abriga, a partir de quinta-feira, mostras do americano Robert Smithson (1938-1973), expoente da Land Art; do mexicano José Arnauld-Bello; e do chinês Xu Bing. No Instituto Tomie Ohtake, será inaugurada na terça-feira exposição de design do italiano Bruno Murari (1907-1998) e a Casa Modernista recebe as obras de Sergei Tcherepnin e Ei Arakawa. "Discutimos muito essa questão da Bienal na Cidade porque há o risco de sacrificar essas obras, já que mais gente vai vir ao pavilhão do que se deslocar para esses outros lugares", acrescenta Oramas.

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