Obras de Portinari e Mira Schendel em leilão de NY

Pinturas de Cândido Portinari (1903-1962) e Mira Schendel (1919-1988) são as obras mais cotadas entre os 30 trabalhos de 16 artistas brasileiros que participam dos leilões internacionais de arte latino-americana nesta temporada de primavera em Nova York. Na temporada de outono, em novembro passado, os dois bateram seus recordes de preço em leilão e, como o mercado está tão forte quanto seis meses atrás, a perspectiva para as obras deles é a mesma.Trabalhos de artistas mexicanos, colombianos, cubanos e de outros países da América Latina serão leiloados na Christie´s nesta terça-feira e na quarta-feira; na Sotheby´s, os leilões são quarta-feira e quinta-feira. Entre os 476 lotes oferecidos pelas duas casas, a maior expectativa é para um quadro da mexicana Frida Kahlo (1907-1954) que é oferecido na Sotheby´s. Os leiloeiros estimam preço entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões para Raízes, que Frida compôs em 1943.São da mesma época os Portinaris Enterro (1942) e Moça Penteando os Cabelos (1941), os de maior preço entre os brasileiros: ambos são cotados entre US$ 300 mil e US$ 400 mil, segundo os leiloeiros da Christie´s, onde estão à venda. O primeiro é uma cena sombria, pungente, em que quatro homens carregam um caixão que, pelo pequeno tamanho, leva o corpo de uma criança.Segundo a historiadora Christina Gabaglia Penna, uma das responsáveis pela publicação do catálogo raisonné de Portinari, nesse quadro ele usou pela primeira vez a figura do homem de perna de pau, que mais tarde transformou num símbolo da resistência e da coragem dos retirantes brasileiros. Enterro foi pintado pelo artista sob encomenda de Assis Chateaubriand, o empresário de comunicação que fundou o Museu de Arte de São Paulo (Masp). Conforme a Christie´s, o quadro vem de uma "importante coleção brasileira".Moça Penteando os Cabelos, que pertenceu à coleção da magnata dos cosméticos Helena Rubinstein, está em leilão pela terceira vez nos últimos seis anos. Em 2000, o quadro foi capa do catálogo do leilão de arte latino-americana da Christie´s, onde era avaliado entre US$ 800 mil e US$ 1 milhão. O maior lance que recebeu então foi de US$ 600 mil e o proprietário preferiu não vendê-lo.Em novembro de 2004, Moça foi a leilão na Sotheby´s com estimativa entre US$ 400 mil e meio milhão de dólares, mas novamente não alcançou valor para mudar de dono. Este ano, o proprietário do quadro resolveu colocá-lo à venda de novo na Christie´s. Das duas casas de leilão, esta é a que mais oferece arte brasileira. Dos 274 lotes de arte latino-americana que ela apresenta nesta temporada, 22 são de artistas como Di Cavalcanti, Volpi, Antônio Bandeira, Sérgio Camargo, Cícero Dias, Cildo Meireles, Waltércio Caldas e Rosângela Renó, entre outros.Nos leilões do outono passado, a obra brasileira que despertou o maior interesse foi Tocador de Trombeta, que Portinari pintou em 1958 e a Christie´s vendeu por US$ 721.600 (somada a comissão da casa) para um colecionador particular. O maior preço pago até então por um Portinari em leilão era US$ 275 mil.Na temporada anterior a Christie´s também registrou o recorde de preço para uma obra de Mira Schendel. Um quadro sem título, pintado por ela em 1964 e que pertenceu ao crítico de arte e cientista brasileiro Mário Schenberg, foi adquirido por US$ 284.800 por uma instituição americana. Agora, uma têmpera sobre madeira, também sem título e produzida por ela em 1963, está à venda na Sotheby´s avaliada entre US$ 125 mil e US$ 175 mil. A Sotheby´s mantém sigilo sobre o atual proprietário dessa obra da concretista e o catálogo do leilão informa que o quadro foi adquirido da própria Mira.Entre os brasileiros, Mira é a que tem o maior número de lotes oferecidos. Além do que está na Sotheby´s, há mais cinco na Christie´s, dois deles compostos cada um por três monotipias criadas em 1964 e pertencentes a uma coleção nova-iorquina. Nesses desenhos sobre papel japonês, ela explora algumas das principais questões abordadas em sua obra, como origem, repetição e transparência.RecordePrecedida por vendas entusiasmadas e preços recordes nos leilões de obras impressionistas, do pós-guerra e contemporâneas realizados nas semanas anteriores, a arte latino-americana fecha a temporada de primavera dos leilões internacionais em Nova York. A grande estrela desse encerramento é Raízes, de Frida Kahlo. O pequeno óleo sobre metal pertence a uma coleção americana desde 1982 e é a primeira vez que aparece no mercado público. Há seis anos, um auto-retrato da pintora mexicana pintado em 1929 e vendido por US$ 5,065 milhões bateu o recorde de preço em leilão para trabalho de um artista latino-americano. Espera-se que Raízes consiga o mesmo.Com estimativa superior a US$ 1 milhão há apenas mais uma obra, o óleo sobre tela Quatro Músicos, do colombiano Fernando Botero e pintado em 1984. Ele vem de um colecionador particular de Miami e está na Sotheby´s avaliado entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão. Também na Sotheby´s está sendo oferecida a que é considerada a escultura mais importante do costa-riquenho-mexicano Francisco Zúñiga (1912-1998) a ser posta em leilão. O bronze Quatro Mulheres de Pé, de 1974, para o qual se pretende preço entre US$ 700 mil e US$ 900 mil, é a resposta de Zúñiga ao monumento que Rodin criou em 1889 para homenagear os burgueses de Calais. As quatro figuras de Zúñiga representam a infância, a adolescência, a maternidade e a velhice da mulher.Na Christie´s, a maior estimativa é de US$ 600 mil a US$ 800 mil para um guache sobre papel criado em 1944 pelo cubano Wifredo Lam (1902-1982). O quadro, que não tem título, mostra uma figura feminina empunhando uma faca para sacrifício e é embebido na santeria cubana, equivalente ao candomblé brasileiro. Depois dessa obra de Lam, a segunda em preço na Christie´s é Natureza Morta com Dominós, do mexicano Rufino Tamayo (1899-1991). Com valor calculado entre US$ 400 mil e US$ 600 mil, esse óleo sobre tela vem de uma coleção suíça e foi adquirido diretamente do artista quando ele morava na Europa.

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