Obras de pintor português são encontradas na Santa Casa de Salvador

A equipe de restauradores que trabalha há mais de um ano na recuperação das obras de arte da Santa Casa de Misericórdia de Salvador anunciou nesta quarta-feira a identificação de 15 painéis sacros do principal pintor português do inicio do século 18, Antônio Simões Ribeiro. As obras decoram o forro do teto em caixotões do salão nobre da Santa Casa, que foi desmontado para uma restauração completa.As únicas obras conhecidas de Ribeiro em Salvador eram a abóbada da capela-mor da Misericórdia, o teto do salão do Senado da Câmara da cidade e um forro do Convento do Desterro, que já foram perdidos. Professor de perspectiva, técnica que utilizaria na elaboração dos tetos ilusionistas barrocos, Ribeiro é citado pelo pesquisador Robert Smith como o autor da pintura do forro da Biblioteca de Coimbra. Sua fama o fez se mudar para a abastada capital da Colônia, Salvador, no inicio do século 18, onde recebeu muitas encomendas.Chefe da equipe de restauração, o argentino Domingo Tellechea disse que a identificação das pinturas de Ribeiro "foi mais fácil que a de um artista que tivesse assinado a obra". "Nós percebemos as características do estilo do pintor nos painéis, a qualidade do trabalho e constatamos que, na época em que foi feito, entre 1732 e 35, não havia na Bahia nenhum artista capaz de realizar um trabalho dessa magnitude."Da passagem de Ribeiro pela Santa Casa de Salvador, resta, comprovado por um recibo, apenas a encomenda da pintura da capela-mor da igreja, onde ele é tratado como um artista "muito perfeito na sua arte". Os grandes pintores sacros baianos surgiram 50 anos depois do período de Ribeiro. O principal deles, José Joaquim da Rocha, foi seu discípulo e continuou sua obra, decorando as igrejas de Salvador com pinturas de teto em perspectiva.Descoberta - Os painéis do salão nobre foram descobertos quando se retirou o forro para recuperar os muros de pedra que o sustentava. Depois de desmontadas, as 15 molduras-caixotões, com 200 quilos cada, passaram à equipe de Tellechea. Os restauradores perceberam que os quadros estavam cobertos por uma camada escura de sujeira e pinturas de restaurações malfeitas. Quando começaram a retirar a sujeira, a obra de Ribeiro apareceu. No painel central, decorado com uma cena de Cristo, as camadas de tinta mais novas escondiam a inscrição "Misericórdia Lucas Capítulo VI".Tellechea estima que a recuperação das 15 pinturas devem durar no mínimo oito meses. "É um trabalho meticuloso, delicado, paciente. Fizemos o trabalho técnico e esperamos que, a partir de agora, pesquisadores de arte e historiadores estudem mais a obra e a vida de Antônio Simões Ribeiro."

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