Obras de colecionador confiscadas por nazistas irão para Museu de Berna

Cornelius Gurlitt detinha mais de mil obras de artistas como Canaletto, Toulose-Lautrec e Picasso

EFE

07 de maio de 2014 | 18h10

O Museu de Belas de Artes de Berna (Kunstmuseum) se mostrou, em comunicado oficial, surpreendido e encantado por receber como legado a coleção de arte do alemão Cornelius Gurlitt, morto na terça-feira, 6. A coleção é composta por cerca de 1,2 mil quadros de artistas de renome mundial, como Tolouse-Latrec e Picasso, e foi descoberta em 2012 pela polícia alemã que investigava Gurlitt por sonegação de impostos. Entre as obras, há várias roubadas pelo regime nazista de seus proprietários judeus.

O legado ao Museu foi conhecido na abertura do testamento do alemão, que declarou a instituição como herdeira universal de toda sua coleção, apesar de nunca ter havido nenhuma relação entre as partes.

"O Kunstmuseum foi informado por Christoph Edel, advogado de Cornelius Gurlitt, que morreu na segunda-feira, por telefone e por escrito, de que este designou a Fundação de Direito Privado Kunstmuseum como seu único e total herdeiro", indicou o comunicado. A notícia foi totalmente inesperada, de acordo com o museu. "O conselho de administração e os diretores do museu estão felizes, porém ao mesmo tempo não ocultam que o magnífico legado traz consigo uma enorme responsabilidade e abundantes perguntas sobre questões muito sensíveis", diz a nota.

As questões por resolver são de ordem "ética e legal", e o museu se posicionou no sentido de que não está em condições de oferecer mais detalhes até que receba a documentação necessária e estabeleça contato com as autoridades competentes. O caso ficou conhecido após a revista alemã Focus revelar a história, mais de seis meses depois de o governo alemão ter apreendido as obras na casa de Gurlitt. Um clamor internacional foi causado justamente pelo fato de que o governo da Alemanha não tornou público o achado.

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