Obras de Aleijadinho são apreendidas no Rio

Promotores do Ministério Público de Minas, com o apoio de agentes da Polícia Federal, apreenderam ontem no Rio oito peças sacras da coleção do médico mineiro João Bosco Viana Gonçalves que estavam em exposição na Galeria Leone de Arte para leilão. O autoria de quatro das peças é atribuída ao mestre do barroco Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.A apreensão foi feita com base em uma liminar concedida anteontem. O juiz da 24.ª Vara Cível de Belo Horizonte, Geraldo Senra Delgado, afirmou no despacho que promotores foram informados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) que até o momento não se sabe se os "bens possuem origem lícita". O instituto, segundo o juiz, alegou que as peças fazem parte do patrimônio cultural mineiro e "correm sério risco de serem comercializadas e levadas para pontos distantes e desconhecidos de nosso País ou do exterior".O juiz determinou ao todo a apreensão de 11 objetos sacros da coleção. Representantes da Galeria Leone informaram que três peças já haviam sido vendidas. A presidente do Iepha, Vanessa Borges Brasileiro, participou da diligência. Segundo ela, o grupo visitaria ainda ontem a residência de João Bosco Viana para averiguar se as imagens restantes estavam em seu poder. Além das peças recolhidas ontem, o Iepha apreendeu recentemente graças a outra liminar três anjos barrocos, também supostamente esculpidos por Aleijadinho, integrantes da mesma coleção. A suspeita é de que as peças pertencessem originalmente à Igreja Matriz de Santa Luzia (MG).Inventário virtual - Com o objetivo de combater os crimes contra o patrimônio histórico e artístico de Minas, instituições públicas estaduais, federais e da Igreja assinaram ontem um convênio de cooperação. Será uma espécie de "força-tarefa" contra esses crimes. Para ajudar na ação, pode ser acessado na internet, a partir de hoje, um inventário de 240 peças sacras roubadas ou desaparecidas de igrejas, capelas e museus do Estado, catalogadas pelo Iepha e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As informações estão no endereço www.cultura.mg.gov.br. Pelo site, será possível fazer denúncias anônimas sobre o assunto. O telefone 0800 30-50-00 também pode ser usado para denúncias anônimas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.