Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Obras da Bienal para ''ver de perto''

Itinerância prossegue por capitais e interior de São Paulo

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2011 | 00h00

De dimensões monumentais, a 29.ª Bienal de São Paulo veio ao Rio com obras para se ver de perto. Itinerante, a mostra, no Museu de Arte Moderna, tem 77 das 850 obras que ficaram no pavilhão do Ibirapuera de setembro a dezembro de 2010. Até 15 de maio, 16 artistas estarão representados em fotografias, vídeos e trabalhos em papel, principalmente. Nomes como o alagoano Jonathas de Andrade e o pernambucano Marcelo Silveira, que agora podem ser observados num ambiente mais intimista.

"A Bienal é gigantesca e complexa, e escolhemos obras que mantivessem o espírito original da mostra, de falar de arte e política de maneira não óbvia", diz o curador Moacir dos Anjos, que fez a seleção com Agnaldo Farias e no Rio contou com parceria do curador do MAM, Luiz Camillo Osorio. "Aqui, em contexto menor, é possível observar melhor, por exemplo, o Flávio de Carvalho, que em São Paulo quase passava despercebido, e o Jonathas, que cresceu no MAM."

A itinerância da Bienal é justamente para que as obras sejam vistas sob novos ângulos - e por mais gente. Em São Paulo, foram cerca de 530 mil visitantes. Em janeiro, outra seleção chegou ao Palácio das Artes, em Belo Horizonte; depois de Rio e Salvador, a exposição passa, até agosto, por Recife, Curitiba e Porto Alegre. E também pelas instalações do Sesc em Araraquara, Campinas, São Carlos, Piracicaba, Santos, São José dos Campos e Ribeirão Preto. Nessas cidades, com menos obras.

Cada pouso tem um conjunto diferente, embora em algumas possa haver obras coincidentes. No Rio, têm grande destaque, além dos 60 cartazes de Jonathas, que traduzem em imagens palavras como "Nordeste" (uma foto de Lula mostrando o umbigo) e "riqueza" (uma mulher bem vestida "comendo" um diamante como se fosse um canapé), e das experiências de Flávio dos anos 30, as séries de fotografias do norte-americano Allan Sekula. Elas abrangem o período de 1999 e 2010 e retratam o mar, navios, seus trabalhadores.

O curador do MAM sugeriu a vinda dessas obras e também Strassenfest (Festa de Rua), da alemã Isa Gezken, que mistura manequins, espelhos e figurinos. A obra, ainda durante a Bienal, foi adquirida pelo Instituto Inhotim e participa só da passagem pelo Rio.

Conhecido por seu trabalho com madeira, Marcelo Silveira mandou sua Paisagem, uma série de colagem em papel. Já a obra constituída de um tronco de árvore de cajacatinga, que impressionou a Bienal por sua magnitude (tem 4 m de diâmetro e pesa uma tonelada) ficou de fora, por razões óbvias. "Acho que a obra se completa quando se expõe, então, estar no MAM me anima bastante, porque amplia o público apreciador. Até mesmo para quem foi à Bienal, ver no Rio é outra coisa", diz Silveira, que usou 70 livros com imagens em preto e branco para investigar a noção de autoria.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.