Obra entre abstração e figuração

Além de criar uma trajetória artística que coincide com os momentos mais importantes do modernismo e vão para além dele - dos anos 1910 e chegando até quase à década de 1970 -, o artista italiano Alberto Magnelli (1888-1971) teve ainda papel fundamental na história do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, como conta a historiadora e professora Lisbeth Rebollo Gonçalves. É que no fim da década de 1940 e nos anos seguintes, Magnelli foi convidado por Ciccillo Matarazzo a ajudar na construção do acervo do magnata e mecenas que, na época, formaria o então museu de arte moderna de São Paulo (depois o acervo foi transferido para o MAC). O artista italiano, na Europa, usou seu olho atento para a aquisição de trabalhos de criadores importantes como Jean Arp, Georges Braque, Marc Chagall, Kandinsky, Matisse e Picasso, por exemplo.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2010 | 00h00

Mas Alberto Magnelli é um artista com produção autônoma e rica também e unindo sua produção e sua história de relação com o Brasil é o mote da ampla mostra que o MAC apresenta em seu espaço expositivo no Pavilhão Ciccillo Matarazzo no Parque do Ibirapuera (prédio da Bienal). Idealizada por Lisbeth, a exposição, com curadoria do francês Daniel Abadie, professor de História da Arte da Universidade Livre de Bruxelas e conservador do acervo Magnelli pertencente à família do artista, reúne 64 pinturas criadas pelo italiano entre 1912 e 1969 (quatro delas da coleção do MAC).

Tensão. Uma das principais características da obra de Magnelli, ressalta Lisbeth Rebollo Gonçalves, é certa "tensão entre a abstração e a figuração". "A trajetória de um artista precisa ser vista como um processo, mas gosto, particularmente, da série das Pedras (de 1933), que expressa tensões de um homem que estava vivendo a década de 1930, o pré-Guerra, com uma abstração que pode ser vista como resposta àquele momento", analisa a historiadora.

Na exposição, que foi primeiramente exibida no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, vê-se a produção que, aparentemente, poderia ser apenas definida como eclética - com influências nítidas do futurismo, e, principalmente, do cubismo e da abstração geométrica, mas é na verdade, como definiu o crítico Mario Pedrosa em 1958, feita de formas de "uma vitalidade num universo que lhe é próprio."

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