Obra do século 18 ganha encenação

O primeiro fim de semana do Festival Amazonas apresentou também a ópera Guerras de Alecrim e Manjerona, estreada por volta dos anos 1730, com música de Antônio Teixeira e texto do dramaturgo Antônio José da Silva, o Judeu. É a primeira ópera em português da qual ainda se mantém registro. E voltou ao palco pelas mãos do pesquisador e maestro Márcio Páscoa, que comandou na apresentação de sábado a Orquestra Barroca do Amazonas e um time de atores e solistas locais.

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2010 | 00h00

A partitura utilizada é fruto de pesquisas feitas por Páscoa na Biblioteca do Palácio Ducal de Vila Viçosa e na versão preparada por Filipe de Sousa para uma apresentação no Teatro São Carlos, de Lisboa, no início dos anos 70.

A história gira em torno das artimanhas utilizadas por dois jovens e seu empregado na tentativa de conquistar suas pretendentes. Texto falado e cantado se articulam na composição, que tem como momentos mais inspirados breves duetos de amor que abrem a seção final da ópera. As inflexões necessárias ao canto lírico em português tornam extremamente difícil a execução da partitura - e é digno de nota o esforço dos cantores na busca por uma oralidade cantada, acompanhados de perto por Páscao.

A peça de Antônio José da Silva, conhecido como o Judeu, traz algumas das características mais marcantes de seu trabalho, como a sátira à sociedade portuguesa, rompendo com modelos clássicos em busca de uma nova linguagem, popular. Isso dá à ópera um caráter histórico importante - e faz da sua encenação marco do resgate do tipo de espetáculo que se fazia nos teatros brasileiros do século 18. Nesse sentido, porém, teria sido interessante a utilização de legendas, que permitissem uma melhor compreensão do texto.

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