Obra de Resende ameaçada

Prefeitura de Porto Alegre pretende remover Olhos Atentos por falta de segurança, mas artista rebate acusação

ELDER OGLIARI, PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h08

O município de Porto Alegre planeja remover a obra Olhos Atentos, de José Resende, das proximidades da Usina do Gasômetro, no centro da cidade. A possibilidade foi admitida pelo prefeito José Fortunati (PDT) ao jornal Metro. A justificativa é que a escultura está deteriorada e oferece risco ao público que circula pela área, à margem do Lago Guaíba, sobretudo nos fins de semana. A decisão gerou polêmicas em redes sociais, com defesas da manutenção da estrutura no mesmo local, sob o argumento da não interferência do poder público em obras de arte, e da posição da administração municipal.

A discussão considera a possibilidade de interação do público com a obra. Criada como uma espécie de escultura e instalação, Olhos Atentos foi doada à cidade pela Bienal do Mercosul de 2005. A estrutura metálica tem base no dique sobre o qual passa a Avenida Beira-Rio e se projeta para o espaço livre, em direção ao lago, como uma passarela. Inicialmente, os visitantes caminhavam sobre as grades e vigas de ferro para observar o Guaíba e tirar fotos com a paisagem do lago ao fundo. Desde 2009, no entanto, só alguns ainda fazem isso clandestinamente porque a obra está interditada.

A suspensão do uso da estrutura pelo público deve-se ao desgaste da obra. A corrosão deteriorou parcialmente a grade de metal pela qual os visitantes caminhavam e pode ter prejudicado também a base. Desde a interdição, a prefeitura buscava alternativas para o monumento, mas não chegou a anunciar nenhuma solução que passasse pela restauração e manutenção da obra no mesmo local.

"Todos fomos surpreendidos. Foi uma declaração infeliz do prefeito de Porto Alegre, não foi boa política dele tentar fazer algo na surdina. E isso está causando repercussão", disse Resende ao Estado. "Os cálculos são todos perfeitos. O que deteriorou foi o piso, que deveria ter sido feito com o mesmo material que se usa nas calçadas, como o respirador do metrô. Na verdade, a peça foi feita com outro material. Não há risco de cair. A melhor solução é apenas restaurar o piso." Segundo ele, a Fundação Bienal do Mercosul, que doou a peça, mobilizou-se para reformar a obra, mas a prefeitura não respondeu. / COLABOROU CAMILA MOLINA

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