Christie's/Divulgação
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Obra de Palatnik bate recorde em leilão da Christie's

‘Sequência Visual S-51’ foi arrematado por US$ 785 mil, o triplo da estimativa mais alta, em evento terça e quarta

Tonica Chagas - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

20 de novembro de 2013 | 19h12

Os especialistas da casa de leilões Christie’s acertaram na avaliação das obras que participariam de evento promovido anteontem e ontem: as peças atingiram o preço mais alto no leilão de arte latino-americana. Women Reaching for the Moon, do mexicano Rufino Tamayo (1899-1991), óleo sobre tela de 1946 e com preço estimado entre US$ 1,2 milhão e US$ 1,8 milhão, foi vendido por US$ 1,445 milhão. Já O Casamento (1995), quadro de acrílica sobre tela da brasileira Beatriz Milhazes e avaliado entre US$ 600 mil e US$ 800 mil, saiu por US$ 1,025 milhão. Os valores incluem a comissão da casa.

Mas ninguém esperava o resultado obtido pela obra cinética de Abraham Palatnik. Sequência Visual S-51, trabalho produzido pelo artista brasileiro na década de 1960, foi arrematado por US$ 785 mil, o triplo da estimativa mais alta que lhe deram, e ficou em quarto lugar na lista dos dez lotes com os maiores preços pagos no leilão.

Comprado por um galerista sulamericano, Sequência Visual S-51 marcou recorde de preço para obra de Palatnik em venda pública. Antes, o valor mais alto alcançado por uma obra dele em leilão foi para Progressão 42-A, de 1965, quadro vendido dois anos atrás na Sotheby’s por US$ 182,5 mil. Palatnik, de 85 anos, foi um dos participantes da primeira bienal de arte realizada em São Paulo, em 1951, onde mostrou, pela primeira vez, trabalhos cinecromáticos semelhantes ao que foi leiloado na Christie’s. Feito como uma caixa de madeira coberta por tecido sintético, Sequência Visual S-51 explora questões relativas à pintura criando movimentos e cores por meio de lentes, lâmpadas e um motorzinho.

Nos últimos anos, artistas brasileiros contemporâneos e na faixa dos 40 e 50 anos de idade têm seus nomes incluídos com frequência em listas de recordes. Mas no leilão da Christie’s, além de Palatnik, quem também teve obra com recorde de preço em venda pública foi a japonesa naturalizada brasileira Tomie Ohtake, que completa cem anos de idade esta semana. Um óleo sobre tela sem título, pintado com seus característicos tons de vermelho em 1979 e avaliado entre US$40 mil e US$60 mil, foi arrematado por US$ 81.250; segundo informações da Christie’s, o recorde anterior para obra de Tomie em leilão era de Botão, óleo sobre tela de 1979 que foi vendido num leilão no Texas, em 2009, por US$ 41.825.

Entre os cerca de 200 lotes de arte latino-americana que a Christie’s leiloou em sessões na terça-feira à noite e hoje, 30 eram obras brasileiras que ganharam destaque numa brochura separada do catálogo do leilão. O empenho na captura de trabalhos com apelo internacional rendeu a inclusão também de Relief Nº 285, de Sérgio Camargo (1930-1990) na lista dos dez lotes vendidos pelos preços mais altos. A construção de madeira pintada de branco e executada em Paris em 1970, com estimativa entre US$ 500 mil e US$ 700 mil, saiu por US$ 749 mil.

Outros lotes arrematados pelos valores mais altos no leilão da Christie’s foram: La Rose Zombie, óleo sobre tela de 1950 do cubano Wifredo Lam, com estimativa de preço entre US$ 500 mil/US$ 700 mil e vendido por US$ 845 mil; a pintura Dos Mujeres en Rojos (1978), de Rufino Tamayo, avaliado entre US$ 600 mil/US$ 800 mil e arrematado por US$ 665 mil; La Rosa (1943), do chileno Matta, avaliado entre US$ 250 mil/US$ 350 mil e vendido por US$ 461 mil. Completam a lista o quadro Navío Constructive (1934), de Joaquín Torres-García, arrematado por US$ 425 mil; outro óleo sobre tela de Matta pintado em 1960, que alcançou US$ 425 mil; e com preço igual a este um outro Tamayo, Child Playing (1945).

A Christie’s fechou as contas de seu leilão em US$ 18,2 milhões.

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