Divulgação
Divulgação

Obra de Nina Raine mostra uma realidade próxima e poderosa

Nina Raine veio a São Paulo no ano passado, convidada pela Cultura Inglesa para acompanhar o ensaio aberto de sua primeira peça, Rabbit, escrita em 2006 e cuja encenação na Inglaterra despertou a atenção da crítica, por conta de seus diálogos afiados, ditos por personagens ferozmente opinativos.

Ubiratan Brasil,

31 de agosto de 2013 | 19h08

Rabbit se passa toda durante a festa de aniversário de Bella, uma garota revoltada e mordaz, enquanto seu pai está no hospital lutando contra um câncer.

A intimidade com as letras é uma tradição de família – Nina é a filha única do poeta Craig Raine, conhecido pelos versos marcados por metáforas visuais e humorísticas, e sobrinha neta do novelista russo Boris Pasternak, autor de Doutor Jivago.

Quatro anos depois do sucesso de Rabbit, Nina voltou a surpreender com Tribos. Se a minoria da crítica britânica estranhou o excesso de palavrões, os elogios predominaram, especialmente por conta da maneira perversamente divertida e politicamente incorreta com que revive as típicas questões familiares e reforça as dificuldades de convivência – como em toda tribo.

Em entrevista ao Estado, em 2012, Nina confessou sua surpresa ao ser questionada sobre o poder que a ficção tem de interferir na realidade e até criar novas realidades. "Foi engraçado ver como as pessoas enxergavam suas próprias vivências refletidas em Tribos", disse. "Os gays sentiram que a peça contava sua história. Depois, uma amiga, que tinha recentemente dado à luz, chorou dizendo ter sentido que Tribos ecoava o isolamento que ela tinha acabado de descobrir – e uma amiga negra a interrompeu, dizendo: ‘Ora, pensei que a peça traduzia a sensação de ser uma negra entre os brancos’. Creio que uma peça só pode ter tamanho impacto na realidade vivida pelos outros quando ela mostra uma realidade própria extremamente coesa e poderosa."

 
Tudo o que sabemos sobre:
Nina Raine

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.