Obra de Monteiro Lobato volta a ser publicada

56 livros, dos quais 31 títulos voltados para o público infantil, deverão ser lançados até o fim de 2008

Ubiratan Brasil, do Estadão,

13 de setembro de 2007 | 17h07

Sábado é o dia que vai marcar o ressurgimento da obra de Monteiro Lobato nas livrarias. Nessa data, a editora Globo passa oficialmente a republicar a obra do escritor, um total de 56 livros, dos quais 31 títulos voltados para o público infanto-juvenil. "Até o fim de 2008, pretendemos ter toda obra já disponível ao público", comenta Lúcia Machado, diretora da Unidade de Negócios Infantis da editora. Inicialmente, a Bienal do Livro do Rio de Janeiro será o único ponto-de-venda e divulgação dos cinco primeiros títulos (Reinações de Narizinho volumes 1 e 2, Viagem ao Céu, Monteiro Lobato em Quadrinhos - Dom Quixote para Crianças e Urupês). "Isso porque somente a partir de sábado é que podemos acertar vendas para livrarias de todo o País", completa Lúcia, lembrando que a Globo acertou um contrato vitalício com os herdeiros de Lobato (1882-1948), com extensão para toda a América Latina. O acordo pôs fim a um tortuoso relacionamento com a Brasiliense, há anos a principal casa editorial de Lobato. "Fazia 40 anos que a obra não era atualizada e ainda tínhamos problemas com a reedição", explica Jorge Kornbluh, marido da bisneta do escritor, Joyce. "Tentamos, entre 1996 e 1997, fazer com que a editora reformulasse os livros; como não conseguimos, entramos na Justiça com um pedido de rescisão do contrato de edição." Ele observa ainda que várias editoras disputavam os direitos e a Globo destacou-se por apresentar o projeto que mais respeitava a obra. Havia cinco anos que a Globo estava negociando e, mesmo com o caso ainda em andamento, a editora começou o projeto de reedição há dois. "Fizemos isso para não perder tempo", explica Lúcia. "O processo de atualização é muito delicado, portanto, não podíamos esperar o acerto do contrato para então consumir mais dois anos de preparação até os livros começarem a ficar prontos." Outro detalhe que apressou o processo foi a proximidade da data em que os direitos da obra vão se tornar públicos: 2018. "Queríamos deixar um trabalho consolidado quando a família perder o controle sobre a obra." Foram feitas mais de 30 revisões nos primeiros volumes, mas, acrescenta Lúcia, nenhuma descaracterização. "Fizemos questão de manter a linguagem original, além de optar por não incluir glossário para estimular as crianças a pesquisar o significado das palavras no dicionário." Somente os livros com conteúdo paradidático, como Emília no País da Gramática e Geografia de Dona Benta, é que sofrerão algumas atualizações. O desafio, porém, é manter a poesia das palavras de Lobato, que tanto auxiliam os professores no processo de ensino. Serão publicados todos os escritos de Lobato, inclusive correspondência, impressões de viagem e esparsos, como conferências, artigos, prefácios e entrevistas. "Sua obra traz o painel de uma época e se alinha ao lado da de Euclides da Cunha e Lima Barreto na valorização do povo", comenta Vladimir Sacchetta, consultor do trabalho ao lado de Márcia Camargos. Os livros terão tiragens entre 5 mil (adultos) e 20 mil (infantis) exemplares e sairão a uma média de quatro lançamentos por mês.

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