Obra de Barbosa Lima Sobrinho será reeditada

O pensamento do jornalista Barbosa Lima Sobrinho, que morreu semana passada, aos 103 anos, será reunido em publicações com textos de fácil compreensão, para serem distribuídos em escolas e bibliotecas. Ontem, depois da missa de sétimo dia do jornalista, seu filho mais velho, Fernando Barbosa Lima, disse que um grupo de pesquisadores deve começar a reunir e dividir os artigos de seu pai por assuntos."Meu pai escreveu durante 80 anos, não há como rever todos os textos, mas a idéia é mostrar o pensamento dele a respeito de vários temas, de uma forma bem clara, para ser compreendido pelo maior número de pessoas", afirmou Fernando Barbosa Lima, depois de receber o cumprimento de mais de 200 amigos e admiradores que assistiram à missa rezada pelo cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Sales, na Igreja da Candelária. O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, disse que a Fundação Alberto Pasqualini estará entre as instituições que se unirão para organizar a obra de Barbosa Lima Sobrinho. "Nossa idéia é sistematizar a obra, que é muito extensa, em dois ou três volumes em diferentes níveis de complexidade, para que o povo brasileiro possa compreender", afirmou Brizola. Na homilia, Dom Eugênio disse que Barbosa Lima "ensinou os caminhos da Justiça" e também agradeceu "tudo que ele fez de bom durante sua longa vida." O cardeal considerou o jornalista "um exemplo de vida íntegra indispensável para a grandeza de uma pátria e para a grandeza cristã."Fernando Barbosa Lima lembrou que o pai sempre foi agnóstico, mas aos 80 anos de idade, incentivado pela mulher, Maria José, aproximou-se da Igreja. Barbosa Lima finalmente rendeu-se aos apelos de Maria José e confessou e comungou pela primeira vez. Dali em diante, passou a rezar, ir à missa e comungar com freqüência. "Minha mãe sempre foi muito católica e o convenceu", contou o filho mais velho. Maria José, que está doente, não compareceu ao enterro nem à missa de sétimo dia do marido. "Ela tem visto o noticiário, não escondemos nada do que está acontecendo, mas estamos tentando poupá-la ao máximo", disse Fernando Barbosa Lima.Vários políticos de partidos de oposição, jovens de grupos nacionalistas e alguns artistas, como Fernanda Montenegro e Fernando Torres, estiveram na Candelária. "Há peças que não têm reposição e ele foi uma pessoa especial, um homem justo, de posição corajosa e nacionalista no melhor sentido da palavra", disse a atriz Fernanda Montenegro. "Ele era a pessoa mais importante da minha vida", lamentou Pedro, de 7 anos, bisneto de Barbosa Lima Sobrinho.

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