Obra de Aleijadinho: laudos têm resultados diferentes

O exame técnico da obra "Soldado Romano", encontrada pelo antiquário Marcelo Aquila Arco, de São Paulo, foi pedido pelo Ministério Público de Minas Gerais. A escultura mede pouco mais de 2 metros e faltam-lhe os braços e os olhos (originalmente, peças de vidro) e o rosto está talhado. A pintura também está bastante danificada, mas aparenta ser a original, enquanto os soldados romanos de Congonhas foram repintados.´A escultura, de maneira geral, apresenta alguma semelhança com as esculturas dos soldados romanos executados para os Passos da Paixão do Santuário de Congonhas, mas não possui a qualidade técnica e expressividade das obras executadas por Antônio Francisco Lisboa´, aponta o laudo.Mas, ao comparar detalhes, os experts cometem alguns deslizes. Não há somente ´botas dobradas´ entre os soldados do conjunto, como diz o especialista. Não há só soldados com ´características caricaturais da maldade, com exagero das expressões´, como diz o laudo, mas diversos tipos de expressão facial nas obras. O que parece causar maior impacto nas imprecisões é a questão da madeira. O laudo fala da ausência de cedro rosa na peça (seria feita de carvalho e peroba rosa), e o IPT é categórico em afirmar que há cedro na cabeça e corpo da peça, e canela da base até a cintura.As estações da Paixão (as 64 imagens realizadas entre 1796 e 1799) representam a Ceia, Jesus no Horto, a prisão, a flagelação e a coroação de espinhos, a cruz às costas e a crucificação. A pintura das peças ficou a cargo dos mestres Manuel da Costa Ataíde e Francisco Xavier Carneiro. O Aleijadinho nasceu em 1738 (data presumida, já que seu registro de sepultamento, em 1814, indica a idade de 76 anos). O batismo foi em 1730, em Vila Rica, hoje Ouro Preto. Era mulato, filho do arquiteto português Manuel Francisco da Costa Lisboa com uma escrava, Isabel. Foi alforriado no ato do batismo.

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