O Z O INÍCIO MUSICAL E LIVRO ESTENDEM A FANTASIA

Longa volta no tempo e revê Dorothy antes de ela ser levada por um tufão do Kansas para um mundo fantástico

ELAINE GUERINI, ESPECIAL PARA O ESTADO, LOS ANGELES, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h16

Fascinado desde criança "pelas cores, pela fantasia e pelo imaginário da terra de Oz", Sam Raimi pensou imediatamente em recriar algumas imagens ícones de O Mágico de Oz (1939), ao ser convidado pela Walt Disney para dirigir o prelúdio do clássico. Pouco depois de assinar o contrato, no entanto, o cineasta foi informado de que não poderia resgatar a estética visual - ainda que repaginada - do filme protagonizado por Judy Garland.

"Como a Disney não tem os direitos sobre o original, só pude buscar inspiração na série infantil de 14 livros, escrita por L. Frank Baum, na qual a primeira adaptação cinematográfica se baseou. Fomos obrigados a imaginar o mundo de Baum do zero, por mais que toda a mitologia do filme predecessor já estivesse arraigada na memória coletiva", disse Raimi.

Talvez isso explique a semelhança visual, sobretudo na extravagância da paisagem em 3D, entre os universos de Oz - Mágico e Poderoso, em cartaz a partir de hoje no Brasil, e Alice no País das Maravilhas (2010) - hit da Disney que arrecadou mais de US$ 1 bilhão de bilheteria mundial. "Como nós teríamos de reinventar a terra de Oz, fui atrás do melhores profissionais quando o assunto é vislumbrar lugares extraordinários", contou o diretor, que escalou o produtor Joe Roth e o desenhista de produção Robert Stromberg - ambos contratados por Tim Burton em Alice.

"Embora não fosse o nosso objetivo lembrar Alice, que eu adoro, não encaro como crítica a comparação", disse Raimi, lembrando que as duas produções usaram técnicas parecidas na hora de gerar um ambiente surreal em 3D. "Nós também optamos por construir o máximo de cenários que pudemos, o que conferiu uma qualidade fotorrealista à imagem do filme. Julguei importante ter prédios concretos, algo que os atores pudessem ver e tocar. Só depois é que adicionamos os efeitos especiais às cenas."

A proposta de Oz - Mágico e Poderoso, superprodução de estimados US$ 200 milhões, é retratar o que se passou antes de Dorothy e o cachorro Totó serem lançados por um tufão a uma terra distante, onde eles conheceram o Leão Covarde, o Homem de Lata e o Espantalho, entre outros personagens. Baseado no primeiro livro de Baum, O Mágico de Oz, o novo longa-metragem resgata a história de Oscar Diggs, o tal mágico (interpretado aqui, mais jovem, por James Franco).

Desmascarado no desfecho do primeiro filme, ele não passava de um velhinho que, após desembarcar em Oz num balão desgovernado, fingia ser feiticeiro recorrendo a truques que aprendeu em circo mambembe. "Agora mostramos a trajetória de um homem que teria chegado como um impostor, mas, ao se envolver na disputa entre três bruxas locais, Glinda (Michelle Williams), Theodora (Mila Kunis) e Evanora (Rachel Weisz), começa a amadurecer, deixando o oportunismo de lado", afirmou o diretor.

O 3D foi a ferramenta mais apropriada para contar a história, na visão de Raimi, "por dar a dimensão exata de uma terra misteriosa, conhecida pelas montanhas insanas e pelos desertos intransponíveis". "Só assim podemos proporcionar uma experiência visual ao público, à altura do que Baum descreveu nos livros tão minuciosamente, como a profundidade do canyon, a vertigem ao olhar para baixo do alto de uma cachoeira ou a sensação de voar dentro da mágica bolha de ar de Glinda."

Para o cineasta, visualizar um mundo inteiro é muito mais trabalhoso que registrar as aventuras de um Homem-Aranha por Manhattan, por exemplo. "Por mais que os filmes do super-herói tenham sido superproduções também, nada supera o desafio de criar em grande escala uma terra fictícia", disse o diretor da primeira franquia do personagem aracnídeo - com título lançados em 2002, 2004 e 2007. "Comparado com o que fizemos lá, Oz foi a minha graduação", acrescentou Sam Raimi.

Uma montagem do musical e uma nova versão do livro escrito por L. Frank Baum complementam a estreia de Oz nos cinemas. Dirigido por Claudio Botelho e Charles Möeller, O Mágico de Oz está em cartaz no Teatro Alfa com um elenco afinado e uma produção caprichada. Baseada na única adaptação autorizada para o teatro, feita pela Royal Shakespeare Company, seguindo quase todo o roteiro do filme, a montagem traz novidades.

Com liberdade criativa, Möeller e Botelho optaram por uma concepção mais adulta para o espetáculo. Incluiram um número (Jitterbug) cortado do longa e o Mágico (vivido por Miéle) ganhou uma canção inédita, com letra de Botelho sobre música de Harold Arlen. Também efeitos especiais reproduzem o furacão que leva Dorothy a Oz, a aparição das Bruxas e o famoso voo de balão com o personagem-título.

Já a nova edição em livro de O Mágico de Oz, editada pela Zahar, é uma versão de luxo, com tradução de Sergio Flaksman e cerca de 50 ilustrações originais de W.W. Denslow, elogiadas por sua originalidade ao tratar da fantasia com bom humor. Terceiro livro de Baum (1856-1919), o trabalho foi publicado em 1900 e escrito para crianças, mas não de modo infantil. / UBIRATAN BRASIL

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