O voo mais radical da ex-banda teen

O single e o vídeo The Catalyst, com seu visual de ritual dos illuminati, já invadiu rádios e TVs. Ele é o cartão de visitas de A Thousand Suns, CD e DVD ainda inéditos do Linkin Park que chegam às lojas em 10 dias. Definido pelo grupo como "um ciclo pessoal de orgulho, destruição e arrependimento, transpassado por remorso verdadeiro", o novo álbum não tem uma sequência linear.

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2010 | 00h00

As faixas que já estão disponíveis para ouvir na internet permitem reconstituir um cenário pós-apocalíptico. Wretches and Kings começa com um aviso pelo megafone, e explode num hip-hop turbinado por batida eletrônica e vocais de fim de século. Ao final, dissolve-se em scratches fabulosos. "Há um tempo em que o controle da máquina se torna tão odioso/Te machuca tanto o coração/Que você não quer mais fazer parte disso", diz a letra.

A produção é de Rick Rubin, um alquimista do rock (produziu de Beastie Boys e Slipknot a The Mars Volta e Red Hot). "Gosto da palavra laboratório, define bem o que nós fazemos, que é mexer os ingredientes. Eu amo estar no estúdio. Quando o Rick (Rubin, produtor) vinha, às vezes acessava os nossos progressos, e dava uma dica aqui e ali para fazer tudo funcionar junto. Mas é que nós somos seis caras, e só entramos no estúdio quando a gente se sente inspirada".

Shinoda tem razão: essa experiência é a mais radical da carreira da banda. Está a léguas de distância da fórmula esgotada que já tinha dado seus últimos suspiros no mais recente disco do Linkin Park, que saiu há três anos, Minutes to Midnight. "Seremos queimados nos fogos de milhares de sóis? Pelos pecados de nossa mão? Os pecados de nossa língua? Os pecados de nosso pai?", berra Chester.

As músicas que já "vazaram" permitem deduzir (se é que são originais) que há um componente meio pós-moderno, de mistura de referências, no novo disco. Brad fala espanhol, e é ligado ao universo latino, daí a origem da faixa Jornada del Muerto. Robot Boy lembra Bad Religion. The Messenger lembra Dead by Sunrise.

O Linkin Park volta com um toque de engajamento mais explícito também, derivado da participação da banda em alguns movimentos humanitários. Em fevereiro, o grupo liberou a canção Not Alone para ajudar as vítimas do Haiti, dentro do projeto Music for Relief (que coletou também canções de Dave Matthews Band, Weezer, Jack Johnson, Alanis Morissette, Slash, The All American Rejects, Hoobastank, The Crystal Method, entre outros). O vídeo dessa música, também disponível na rede, foi dirigido por Bill Boyd.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.