Michael Gibson/Divulgação
Michael Gibson/Divulgação

'O Vingador do Futuro' versão Colin Farrell

O ator irlandês fala de diretores, mulheres - e do papel no filme baseado em Philip K. Dick

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

29 Julho 2012 | 03h12

Nove entre dez mulheres - e até homens - consideram Colin Farrell um sujeito sexy. The sexiest man alive? "Você está me fazendo corar. Sou tímido", anuncia o astro numa mesa-redonda com jornalistas, no Rio, onde ele veio promover sua versão de O Vingador do Futuro. O filme está apontado para estrear em 17 de agosto. O repórter insiste - "Como é ser desejado?" Ele termina rindo, e o clima de descontração se impõe. Farrell tinha 16 anos quando assistiu à fantasia futurista que Paul Verhoeven adaptou da história de Philip K. Dick. Confessa que nunca foi um grande fã de Arnold Schwarzenegger, que interpretou o original. Observa que O Exterminador do Futuro (de James Cameron) é muito bom, mas... Faz cara de pouco-caso.

O que um ator com tradição de escolher seus papéis - e privilegiar os autores - viu de tão interessante no novo Total Recall? Afinal, trata-se de um remake, por mais que as notas de produção anunciem um retorno ao livro. Você pode procurar pelo trailer no YouTube. É eletrizante. Na Terra do Futuro, um homem implanta um chip de memórias e, de repente, se vê no centro de uma caçada humana em que a própria mulher (a ultrassexy Kate Beckinsale, mulher do diretor Len Wiseman) se revela uma de suas algozes. "A história é intrigante e o roteiro é muito bom. Os personagens são bem desenhados e a decisão de Len de criar sets e objetos ajudou na interpretação. Tudo se tornou assustadoramente real."

Há alguma diferença entre um filme de ação como este e papéis em produções de Terrence Malick (O Novo Mundo) e Woody Allen (A Maldição de Cassandra)? "Escolho os papéis pelas histórias que acho que merecem ser contadas. Como ator, considero-me um contador de histórias, mas é evidente que o trabalho com certos diretores é mais atraente. Fazem você crescer." Quais os seus diretores preferidos? Ele nomeia Terrence Malick - "É muito especial, cria um ambiente no set que permite ao ator explorar possibilidades que a gente nem sabe que tem condições de fazer." Malick é um dos autores mais exigentes - e misteriosos - de Hollywood. Quase não aparece - não foi sequer receber a Palma de Ouro que ganhou em Cannes, no ano passado, com A Árvore da Vida. Mas Farrell cita também um diretor muito mais modesto, Joel Schumacher.

Antes que você pense que ele está delirando, ou não tem noção, vale lembrar - Farrell, na verdade, está sendo agradecido. Schumacher lhe deu um de seus primeiros grandes papéis - o primeiro? - em Tigerland, sobre a Guerra do Vietnã. O filme chamou-se A Caminho da Guerra no Brasil e valeu a Farrell elogios (e até prêmios) como recruta que tem seu batismo de sangue num campo de treinamento que simula o Sudeste Asiático. O personagem é iconoclasta, desafia a autoridade, mas se preocupa com os companheiros. "Foi uma experiência intensa", define.

Total Recall, com suas memórias implantadas, é sobre os limites entre realidade e fantasia. Farrell vive neste universo de faz de conta do cinema. Tapetes vermelhos, belas mulheres. Não é fácil se desconectar da realidade? "É possível se desconectar em qualquer circunstância. Isso faz parte do meu trabalho, e se eu não perco de vista a constatação, não há como nem por quê ingressar num mundo de delírio." Como foi fazer a cenas de beijo com Kate Beckinsale, sob os olhos do marido dela? "Len (Wiseman) é um diretor meticuloso, que sabe o que quer. Ele dá instruções muito precisas, mas, no caso do beijo, foi sucinto e não achou que precisava de repetição", ele conta, sem malícia. A mulher brasileira? "Ficam sensacionais de biquínis", avalia.

De volta a O Vingador do Futuro, qual a diferença entre as versões de Paul Verhoeven e Len Wiseman, se é que Colin Farrell identifica alguma? "Não creio que consiga fazer esse tipo de análise. Vi o filme antigo como espectador, como fã. Aqui, vivi todo um processo. Li o roteiro, o livro, construí o personagem com Len (o diretor). Meu envolvimento é agora muito maior, mas eu acho que há diferenças, sim, e elas não são só visuais. Não sei dizer se nosso Total Recall é mais pesado, ou sombrio, ou violento, mas é com certeza mais dramático."

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