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O vigor dos ideais

Apesar das decepções, Bernardo Sorj celebra o sionismo

Marcos Guterman, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2012 | 03h10

As memórias do sociólogo Bernardo Sorj, reunidas no livro Vai Embora da Casa de Teus Pais, resumem a aventura de uma época, os anos 60, e celebram o sonhar - mesmo que os ideais depois se convertam em decepção. O título diz respeito a uma passagem do Gênesis (12:1) em que Deus diz a Abrão: "Vai-te de tua terra, de teu ambiente natal e da casa de teu pai." É o momento em que Deus promete o lugar que, segundo a tradição, é Israel. Contudo, ele só será obtido mediante grande esforço. Essa luta, no relato de Sorj, ganha uma dimensão pessoal - sair da casa dos pais é negar o passado para superá-lo.

O passado, no caso de Sorj, é o sofrimento do pai por causa do Holocausto. Sorj e seus jovens amigos se questionavam por que, afinal, os judeus não resistiram - e "a resposta prática a essa pergunta insuportável era o Estado de Israel", o lugar da redenção dos judeus dilacerados por humilhações milenares.

É assim que, nos anos 60, o jovem Sorj abraça o sionismo. Ele e outros judeus idealistas imaginavam uma sociedade perfeita - um conceito que, obviamente, comporta interpretações inconciliáveis. A ilusão não resistiu à realidade. A deturpação do projeto sionista, na visão de Sorj, foi ainda mais intensa graças à Guerra dos Seis Dias (1967). A vitória sobre os árabes criou um "delírio de onipotência nacionalista" que vergou Israel à direita e, escreve Sorj, "empobreceu a alma" do país.

O sociólogo não esperou para ver o resultado do pós-sionismo e saiu de Israel. Apesar das decepções, Sorj celebra a força das ilusões juvenis e diz que o sionismo e o socialismo deram sentido à sua vida, impelindo-o a "escrever a própria história".

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