'O Vigarista do Ano' recorda falso biógrafo de Howard Hughes

Filme conta a história de escritor, interpretado por Richard Gere, que cria uma falsa biografia de bilionário

Reuters,

07 de setembro de 2013 | 11h42

O ator Richard Gere deixa de lado a pose de galã para assumir o papel de Clifford Irving, o escritor que quase conseguiu armar a maior fraude editorial do século 20 - uma biografia, supostamente autorizada, do bilionário Howard Hughes (1905-1976). A incrível história real é contada no filme O Vigarista do Ano, em estréia nacional, que tem a direção do sueco Lasse Hallstrm (de Chocolate e Regras da Vida) e roteiro de William Wheeler.  O roteirista adapta livro do próprio Irving (The Hoax) sobre a maior aventura de sua vida, que lhe custou alguns meses de cadeia, entre 1972 e 1973.    Veja também: Trailer de O Vigarista do Ano Com cabelo escurecido e encaracolado e usando um figurino simplório, o habitualmente sofisticado Gere encarna Clifford Irving num momento crítico de sua carreira de escritor. Seu último livro acaba de ser recusado por uma executiva (Hope Davis) da poderosa editora McGraw Hill. Ele está sem dinheiro e sem saber o que fazer do futuro.  Neste momento de crise, o escritor inventa de fazer uma biografia sobre ninguém menos do que o bilionário Howard Hughes. Como o famoso aviador, industrial, produtor e diretor de cinema vive totalmente isolado, sem falar com ninguém há anos, Irving acha que pode convencer uma editora que tem sua permissão para escrever o livro. Para isso, aprende a imitar com perfeição a caligrafia de Hughes em cartas, usando como modelo correspondência do bilionário que aparecera numa revista. A idéia, que parecia maluca, toma forma. Usando seus contatos na McGraw Hill, Irving convence-os de que tem Hughes nas mãos. Lábia não lhe falta e ele consegue assinar um contrato que lhe dá US$ 1 milhão, sendo que parte do dinheiro seria supostamente para o bilionário. A revista Life também entra na jogada, para ter a permissão de publicar trechos da biografia. Um esquema tão complicado exige a participação de cúmplices. Irving conta com a ajuda de sua mulher, a pintora Edith (Marcia Gay Harden, de Pollock), e de um amigo, Dick Suskind (Alfred Molina, o vilão de Homem-Aranha 2).  Irving foi capaz de sustentar a história por meses, enganando seus editores com cartas falsificadas e conversas telefônicas - nas quais imitava a voz de Hughes. O engodo finalmente foi desmascarado pelo próprio bilionário, que veio a público num momento em que o livro já tinha sido impresso. Irving, sua mulher (que viajara à Suíça para receber o dinheiro) e Suskind foram processados e a maior parte do dinheiro, devolvido. Ironicamente, depois de cumprir pena, a carreira de Irving como escritor teve mais sucesso. Ele escreveu alguns livros de boa vendagem, como Trial e Tom Mix and Pancho Villa, além da própria história da fraude, contada em The Hoax (título original deste filme). Um detalhe curioso lembrado no filme é que esta história pode ter tido alguma relação com o escândalo de Watergate. A famosa invasão da sede do Partido Democrata em Washington, em 1972, teria sido ordenada pelo então presidente Richard Nixon, entre outras coisas, por ter achado que seus concorrentes já conheciam informações secretas do livro. A pior delas, que seu irmão teria uma vez recebido propina de Howard Hughes em seu benefício. (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.