Wally Fong/AP
Wally Fong/AP

O versátil galã que seduziu Hollywood

Morre o inesquecível astro de Quanto Mais Quente Melhor e Spartacus

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2010 | 00h00

Ele foi talvez o mais belo galã de Hollywood nos anos 1950. Tony Curtis morreu na noite de quarta-feira em sua casa, no Estado americano de Nevada. A morte foi confirmada na manhã de ontem por sua filha, a também atriz Jamie Lee Curtis. Curtis tinha 85 anos e a causa da morte não foi anunciada. O nome era de fantasia e ele nasceu Bernard Schwartz, de ascendência judaica, em Nova York, em 3 de junho de 1925. Filho de um modesto alfaiate de origem húngara, teve uma infância difícil no Bronx. A mãe e dois de seus irmãos eram esquizofrênicos e o pequeno Bernard, aos 8 anos, foi para um orfanato, porque o pai não podia tomar conta de toda a família.

Ele serviu na Marinha, durante a 2.ª Guerra, e testemunhou a rendição japonesa, na Baía de Tóquio, em 1945. Tinha então 20 anos e, ao retornar aos EUA, inscreveu-se num curso de teatro. A bela estampa levou-o a Hollywood. Em sua autobiografia, ele conta que teria sido fácil virar gigolô, tantas eram as ofertas de homens e mulheres interessados em seus favores sexuais. Como ele dizia, preferiu seguir o caminho mais difícil. Fez pequenos papéis no cinema - incluindo no faroeste Winchester 73, de Anthony Mann -, antes de virar astro na Universal. Foi o estúdio que trocou seu nome para Tony Curtis.

O resto é história. Tony Curtis estrelou comédias. Uma delas é considerada simplesmente a melhor comédia de todos os tempos - Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder. Curtis divide a cena com Jack Lemmon e Marilyn Monroe. Para fugir a gângsteres que os perseguem - pois testemunharam um massacre -, Curtis e Lemmon, disfarçados como mulheres, vão parar na orquestra de senhoritas da qual faz parte Marilyn (tocando banjo). Para conquistá-la. Curtis adota outro disfarce, o de milionário.

Embora fosse comediante habilidoso, ele se ressentia da má acolhida da crítica. Era considerado somente um rosto bonito. Disposto a mostrar que tinha talento, ele fez A Embriaguez do Sucesso, de Alexander Mackendrick, com Burt Lancaster. No filme, ele atua como menino de recados de um jornalista que vive de publicar fofocas e manipula as pessoas ao seu redor. Pela mesma época, interpretou outros papéis marcantes - em Vikings, os Conquistadores, de Richard Fleischer, e em Spartacus, de Stanley Kubrick, em ambos dividindo a cena com Kirk Douglas.

Escândalo. O casamento com Janet Leigh era considerado perfeito - até que Tony Curtis a abandonasse para se casar com a atriz alemã Christine Kaufman. Foi um escândalo, na época, mas a essa altura ele já andava desiludido com a carreira. Foi quando Richard Fleischer lhe propôs seu maior desafio, o papel do estrangulador de Boston, Albert De Salvo, em O Homem Que Odiava as Mulheres. Curtis precisou mudar, fisicamente, usando até um nariz postiço, para servir ao personagem. Ficou irreconhecível, mas convenceu os críticos e ganhou uma indicação para o Oscar.

Como Anthony Quinn, ele trocou o cinema pelas artes visuais e virou pintor. Há alguns anos, fez uma exposição de seus quadros em Cannes, durante o festival. Chegou vestindo bermudas, sapatos de verniz pretos e meias coloridas. Mais do que deselegante, parecia brega. Mas Tony Curtis não se importava mais com a imagem. Cansado de ser galã, ele queria, na verdade, ser o antigalã.

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