O último amor de Oswald de Andrade

Maria Antonieta d´Alkmin foi a sexta mulher do escritor Oswald de Andrade. E também a última: o autor de Memórias Sentimentais de João Miramar, depois de conhecê-la, encontrou uma estabilidade matrimonial que ele mesmo não esperava. Essa fase, no entanto, é a menos conhecida da vida do modernista. E é justamente essa lacuna que sua filha, Marília de Andrade, e o pesquisador Ésio Macedo Ribeiro procuram preencher com a publicação de Maria Antonieta d´Alkmin e Oswald de Andrade: Marco Zero, que é lançado hoje em São Paulo. "A sensação que tinha era a de que faltava um pedaço de sua figura histórica, a parte da vida de Oswald que eu conheci", diz Marília.O livro reúne uma série de documentos sobre a relação de mais de 12 anos, iniciada depois que Maria Antonieta (1919-1969) começa a trabalhar como secretária do escritor, envolvido na produção de seu romance Marco Zero. O mais importante desses documentos é, talvez, o depoimento Evocações (Oswald de Andrade em Minha Vida). Apesar de inconcluso, com pouco mais de 30 folhas de caderno, o texto, datado de 1961, na opinião de Macedo Ribeiro, elucida muitos aspectos da vida íntima e familiar desse Oswald, além de revelar métodos de seu trabalho na elaboração de Marco Zero. "Esse texto mostra, por exemplo, que Oswald era muito mais cuidadoso com o texto do que se costuma acreditar", afirma.Nas palavras de Maria Augusta Fonseca, biógrafa do escritor, Maria Antonieta queria "resgatar para o público o artista Oswald de Andrade, que entendia estar esquecido e com a obra sem o devido reconhecimento". Ainda segundo Maria Augusta, Maria Antonieta "perfilou o marido e o poeta de modo sensível e incisivo": "Apresentou-o como um homem aguerrido, forte, irreverente, sonhador, mesmo diante das dificuldades - que não foram poucas - enquanto esteve ao lado dele. Também, permitiu que aflorasse nesse relato o homem apaixonado, autoritário, intempestivo, e o desiludido."Além desse texto, a obra traz cartas e bilhetes trocados pelo casal, um ensaio sobre essa correspondência de Vera M. Chalmers, textos não inéditos que fizeram parte da história da relação (como o poema Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão, inserido, de acordo com a vontade de Maria Antonieta, no corpo de Evocações, presente ofertado por Oswald como pedido de casamento), uma carta de Oswald aos filhos, uma simpática redação escolar de Paulo Marcos sobre o pai, fac-símiles de dedicatórias de livros que ele deu para a mulher, um texto de Marília de Andrade, um poema de Edgard Braga e muitas fotos, desde a lua-de-mel, em 1943, até o ano da morte de Oswald (1890-1954).

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