O último adeus a Moacyr Scliar

Escritor gaúcho, morto no domingo, foi enterrado ontem em Porto Alegre

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2011 | 00h00

O corpo do escritor Moacyr Scliar foi sepultado por volta do meio-dia de ontem no Cemitério do Centro Israelita de Porto Alegre. A cerimônia de despedida seguiu o rito judaico e foi restrita aos familiares e amigos mais próximos do escritor e médico especialista em saúde pública morto no domingo, aos 73 anos, de falência múltipla de órgãos.

O rabino Guershon Kwasniewski destacou que a própria convalescença de Scliar, de certa forma, se transformou em literatura. "A cada informação médica ele escrevia um novo capítulo e, como escritor, cativou seus admiradores até o último dia." Scliar estava internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre desde 11 de janeiro. Após cirurgia de pólipos intestinais sofreu um acidente vascular cerebral e não se recuperou mais. O rabino lembrou ainda que, sem ser religioso, Scliar "era um embaixador da cultura judaica".

Ao final da cerimônia, a família distribuiu uma nota de agradecimento a todos que manifestaram carinho e solidariedade pela morte do escritor. "Neste momento de dor e tristeza, permanece em cada um de nós a lembrança de um homem digno, dono de uma mente brilhante e criativa, que viveu a vida em toda a sua plenitude. Aos 73 anos, Scliar obteve sucesso em todas as atividades às quais se dedicou, seja como médico sanitarista ou como escritor", destaca um trecho do texto. Em outro parágrafo, a família lembra que "o guri criado no bairro do Bom Fim escrevia pelo simples prazer de contar boas histórias, que nunca pararam de nos fascinar. Os mais de 80 livros publicados, os inúmeros prêmios literários, as crônicas e os artigos revelam o trabalho de um humanista, sempre fiel às suas origens".

Na parte final, a nota reitera que "em família, Scliar foi um homem generoso, apaixonado e de uma dedicação ímpar". Na sequência, destaca: "Todos aprendemos com ele a cultivar nossos sonhos como admiração e peito aberto, pois eles são a matéria-prima da vida. Que possa descansar em paz, seu legado é imortal. Moacyr, hoje somos nós que te abraçamos. Milhões!".

Entre os escritores, artistas e políticos que foram se despedir do escritor estavam Luis Fernando Verissimo, Zoravia Bettiol, Tabajara Ruas, José Fogaça, Pedro Simon e Henrique Fontana.

Amigo de muitos anos, Luis Fernando Verissimo destacou a personalidade generosa de Scliar e disse que ele deixa o exemplo do intelectual engajado em causas sociais e saúde pública. Tabajara Ruas lembrou que Scliar foi dos primeiros a reconhecer sua obra. "Sou leitor de toda a vida do Scliar e considero O Exército de Um Homem Só um dos grandes livros do século passado", comentou.

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