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O triste da bossa

Às vésperas de completar 50 anos de uma história impecável, o Zimbo Trio não existe mais

JULIO MARIA, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2013 | 03h03

Uma usina sonora de desmontar deuses e o mundo da música naquele início de anos 60. Criado pelo pianista Amilton Godoy, pelo baterista Rubinho Barsotti e pelo contrabaixista Luiz Chaves, o Zimbo Trio se firmou como uma conjunção de astros daquelas que levam séculos para surgir pela segunda vez.

Fazendo música instrumental brasileira, termo que nem existia até então, eram campeões de audiência nos palcos e na TV Record, em 1964, fosse sozinhos ou ao lado de cantoras como Elis Regina, no programa O Fino da Bossa; e Elizeth Cardoso, no Bossaudade. Viajaram o mundo defendendo um improviso contagiante e, apesar de estarem com pessoas com as quais todos os músicos desejavam estar naqueles tempos, o Zimbo se orgulhava de jamais deixar de ser Zimbo.

Às vésperas de completar 50 anos de história, que seriam comemorados com livro especial no próximo ano, um dos mais importantes grupos da música brasileira deixa de ser Zimbo. A formação original já havia mudado.

Dos fundadores, apenas Amilton Godoy empunhava a bandeira do trio, mantendo a essência nos álbuns e nas apresentações. Com problemas de saúde, Rubinho Barsotti fazia aparições cada vez mais esporádicas nos shows. Luiz Chaves morreu em 2007, aos 75 anos. Além de Amilton, os integrantes atuais eram o baterista Pércio Sápia e o baixista Mario Andreotti.

Amilton conta que decidiu deixar de usar o nome Zimbo assim que recebeu de Rubinho uma notícia que lhe desmontou. A marca Zimbo pertencia ao baterista e, a partir de agora, Amilton precisaria de autorização caso viesse a se apresentar ou a gravar discos com essa nomenclatura. Amilton diz que chegou a receber um organograma de como as coisas deveriam funcionar daqui para frente. Tudo que envolvesse o nome Zimbo teria de ser tratado com Rubinho, apesar de o baterista não mais poder se apresentar com o grupo. Reuniões foram feitas e, na última delas, Amilton comunicou que, a partir daquele dia, não usaria mais o nome que ajudou a construir e a preservar nos últimos 50 anos.

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