O traço sutil de Maria Tereza Louro, em exposição

Na entrada da Galeria Nara Roesler,Maria Tereza Louro escreve a lápis o título de sua novaexposição: Entre Dois, Duas. Una. A partir dessa frase - edesse gesto, a artista enumera, rapidamente, relações contidasem sua obra: horizontal e vertical, claro e escuro, brilho eopaco, e mais além disso, a relação entre duas linguagens - odesenho e a pintura.As obras híbridas e ao mesmo tempo delicadas partiram deseu contato com a natureza, das expedições que veio realizandohá dois anos por montanhas de altas altitudes e pelo litoral, daobservação de diversas paisagens.A exposição surgiu a partir de duas obras iniciais: umade formato horizontal - Arco, Mar. Barco, Mata - e outravertical, intitulada Mar e Céu, A Noite. Delas derivaram asoutras peças, nas cores azuis, verdes e cinzas, "cores quevieram das luzes que eu via de lá de cima das serras", comoafirma Maria Tereza, que registrou tudo antes em fotografias.Por dentro dos desenhos/pinturas coloridos, linhas finas feitascom grafite, pastel seco ou com carvão formam o recorte depaisagens, o contorno de folhas, mas tudo de uma maneira muitosutil. Os títulos de suas obras também se fazem presentes como"linhazinhas dentro do espaço" sinalizando o mesmo gesto deescrever a lápis o nome de sua exposição na entrada da galeria.Mas outras obras surgiram de uma expedição de "carátertotalmente intimista", como define o curador Agnaldo Farias,quando a artista teve de ficar forçosamente imobilizada emdecorrência de uma fratura no pé. Por causa do repouso, começoua desenhar o que via no jardim de sua casa. A cor quase quedesaparece dessas obras e surgem figuras humanas como asrepresentadas nas telas Moça Guardando Laranjas eGoiabeira e Maracujá. Azuis. É também nesse período queMaria Tereza cria obras a partir do modo como vê as sombras dasplantas de seu quintal se formarem sobre trabalhos que há noveanos guardava em seu ateliê. Os desenhos das sombras é feitosobre eles com linhas finas.Quando se recupera do pequeno acidente, ela retoma asexpedições. Vai à Barra do Una, praia do litoral norte paulistaonde o rio deságua no mar, tema de mais outras obras. O Una dotítulo da mostra seria uma referência a essa última viagem, masMaria Tereza prefere dizer que é mais do que isso: Una, para ela, vem do verbo unir.Maria Tereza Louro. De segunda a sexta, das 11 às 20horas; sábado, das 11 às 15 horas. Galeria Nara Roesler. AvenidaEuropa, 655, São Paulo, tel. 3063-2344. Até 28/9. Abertura,amanhã (05) às 21 horas.

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