O traço e as histórias brasileiras terão destaque na Feira do Livro de Bolonha

Mais importante evento do mercado editorial infantil e juvenil presta homenagem ao Brasil entre os dias 24 e 27 de março

Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

14 de março de 2014 | 19h38

Cinco meses depois de ter sido homenageado na Feira do Livro de Frankfurt, que resultou no aumento de traduções de obras brasileiras para outras línguas, o Brasil desembarca em Bolonha na próxima semana para participar, também como convidado de honra, da Feira do Livro Infantil e Juvenil, o mais importante evento do gênero do mundo. 

O investimento será mais modesto do que o feito para ir à feira alemã – R$ 1,1 milhão ante R$ 18 milhões –, mas o objetivo é o mesmo: apresentar a literatura brasileira para que o trabalho de nossos escritores e ilustradores esteja também disponível para leitores de outros países. Isso porque por muito tempo o Brasil foi visto como um bom comprador de direitos autorais, e os números nacionais (os reais e os potenciais) sempre impressionaram os editores estrangeiros. Um exemplo: só em 2013 o governo federal destinou R$ 86 milhões para comprar mais de 7 milhões de exemplares de livros infantis e juvenis para bibliotecas escolares. Mas agora as editoras brasileiras querem vender.

Há 40 anos, o Brasil participa da feira com a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. De 2009 para cá, o Projeto Brazilian Publishers, parceria entre a Apex e a Câmara Brasileira do Livro para a internacionalização do setor, montam estande lá. Naquele primeiro ano, nove editoras foram à feira italiana. Agora, 39 editoras ocuparão um espaço de 160 m². 

Os negócios fechados lá ainda não são expressivos, e isso não desanima as editoras. Em 2013, segundo Karine Pansa, presidente da CBL, o País negociou US$ 273 mil – US$ 183 mil em direitos autorais e US$ 90 mil em venda de livro.

Uma boa vitrine será o espaço de exposição aberto pela feira para o país homenageado. Lá, editores do mundo todo poderão conhecer o trabalho de 55 ilustradores brasileiros na mostra Incontáveis Linhas, Incontáveis Histórias. Se em Frankfurt a surpresa da abertura ficou por conta do discurso improvisado do vice-presidente Michel Temer e da fala histórica do escritor Luiz Ruffato, agora ela está nas mãos de Ziraldo, que será homenageado, e de Roger Mello. A eles será dada uma parede em branco e uma plateia. “Ainda não combinamos o que faremos, mas como seguidor e admirador vou me adaptar ao que o mestre fizer, diz Roger Mello, que ilustrou 100 livros para diversos autores, escreveu e ilustrou outros 22, que está prestes a completar uma dezena de obras lançadas no exterior e foi indicado pela terceira vez para concorrer ao Prêmio Hans Christian Andersen na categoria ilustrador. Joel Rufino dos Santos concorre como escritor e os vencedores serão conhecidos lá.

Na feira, também serão anunciadas as seis melhores editoras do mundo – a carioca Pallas é a única brasileira no páreo.

A comitiva nacional é composta por Angela Lago, Ciça Fittipaldi, Eliardo França, Marilda Castanha, Marina Colasanti Sant’Anna, Nelson Alves da Cruz, Roger Mello, Rui de Oliveira e Ruth Rocha. Outros três convidados oficiais não vão poder ir, mas os corredores da feira estarão repletos de escritores e autores levados por suas editoras.

A ministra da Cultura Marta Suplicy, que vai à feira, conta que está impressionada. “Vi o catálogo que vamos distribuir e é de capotar. Fiquei surpresa com a diversidade, qualidade e criatividade. Quando apresentamos um trabalho desse nível, não vendemos apenas o livro, mas também o ilustrador que pode ilustrar em qualquer lugar do mundo”, diz ao Estado. Roger Mello que o diga. Na feira, ele autografa o livro que ilustrou para o chinês Cao Wenxuan, ainda inédito no Brasil, e se prepara para lançar outras cinco obras na China.

Além da mostra, haverá conversas com escritores e ilustradores e, claro, compra de direitos autorais de livros a serem editados aqui.

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