O trabalho essencial de Victor Garcia

Diretor buscou novas formas de ocupação do espaço cênico, diz crítico do 'Estado'

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2012 | 03h09

Bastaram duas peças encenadas em São Paulo - Cemitério de Automóveis, de Fernando Arrabal, em 1968, e O Balcão, de Jean Genet, no ano seguinte - para que o diretor argentino Victor Garcia (1934-1982) não apenas confirmasse sua condição de um dos principais encenadores do século passado como praticamente decretasse a maioridade do teatro de vanguarda no Brasil. "Ele foi um buscador de imagens e de novas formas de ocupação do espaço cênico, que deixou marcas profundas nos meios artísticos por onde passou", afirma o crítico de teatro do Estado, Jefferson Del Rios.

Ele é autor do livro O Teatro de Victor Garcia (Edições Sesc SP), trabalho rigoroso e delicado que será lançado amanhã, no Sesc de Santos, durante o festival Mirada. Trata-se de uma alentada biografia sobre um encenador que, nas palavras do biógrafo, sempre atuou nos limites da arte e de sua vida pessoal. "Desprezou o palco italiano, que definiu como 'caixa negra onde a vida não pode existir'. Pretendia fazer a representação ir além da realidade, do pensamento cartesiano. Buscava a fusão dos instantes metafísicos com a beleza mineral do diamante", observa Del Rios, que começou a pesquisa em 1995.

Então assessor de Projetos Especiais do Memorial da América Latina, ele organizou uma grande exposição de fotos do trabalho de Garcia. O sucesso da exposição (que circulou também por outros países) o motivou a empreender viagens pelos países por onde Garcia passou, como França e Israel. Como utilizou recursos próprios, Del Rios consumiu longo tempo na pesquisa.

O trabalho, no entanto, é exemplar - o biógrafo traça o perfil do diretor que, segundo depoimento de Antunes Filho na orelha do livro, "quebrava coisas e propunha outras, sacudindo a poeira do teatro". Em São Paulo, para onde veio várias vezes a convite da empresária Ruth Escobar, Garcia montou As Criadas e Yerma, além de O Balcão e Cemitério de Automóveis - esta última ocupou um galpão na Rua 13 de Maio onde funcionaram oficinas mecânicas. Uma verdadeira reestruturação, com pisos quebrados, permitiu que se abrigassem carcaças de veículos. Tratava-se de um novo conceito de espaço cênico.

Apesar de ter encontrado Garcia só duas vezes, Del Rios detalha a obra de um artista inquieto.

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