'O TOM ERA ELE MESMO UMA OBRA-PRIMA'

Você se recorda de seu

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2013 | 02h11

primeiro contato com a música de Tom Jobim ? E que lembranças você tem de seu primeiro

encontro com o maestro?

A primeira vez que ouvi o Chega de Saudade, eu estava no Recife, no auge do verão, e ouvi no rádio um tipo de música completamente diferente das que eu tinha ouvido até então. Um canto e o violão de João Gilberto, únicos, novas harmonias, orquestração personalíssima do Tom e, mais ainda, uma letra do Vinicius que iria transformar totalmente a canção brasileira. A partir daí, acho que a minha vida mudou. A primeira vez que vi o Tom foi no restaurante Esplanada, no centro da cidade, onde as pessoas todas se encontravam. O Tom estava com uma pasta, cheia de

partituras, da Sinfonia de Brasília, e falava sobre o trabalho, das dificuldades e alegrias, do risco e a coragem de enfrentar um projeto como aquele.

Qual seria a grande influência de Tom Jobim na sua música? Houve algum aprendizado

durante a convivência com o maestro que tenha sido

definitiva para a sua obra?

Desde este dia, conhecendo cada vez mais o que o Tom andava fazendo, a admiração aumentava a cada nova canção e, é claro, a influência foi definitiva. O aprendizado, desta maneira, vinha da melhor forma, sem regras, esquemas ou lições. Não tenho dúvida nenhuma quando digo mais uma vez, depois de tantas, que tive a sorte de poder conhecer de perto o maior compositor da música popular, de qualquer país.

Dizem que o disco Edu & Tom era inicialmente um projeto seu com convidados, mas quando Tom começou a gravar, ainda como convidado, o entrosamento foi tão forte que o projeto inteiro foi modificado, consolidando a parceria. Como se deu a troca entre vcs naquele momento?

Foi isso mesmo: seria um projeto de convidados e Aloisio de Oliveira, produtor do LP e eu, começamos gravando com o Tom, o meu Prá Dizer Adeus, que tem letra de Torquato Neto. Quando ficou pronta, o Tom perguntou: "Mas é só essa?". Então fizemos a Canção do Amanhecer, mas o Tom queria mais. Aloisio então percebeu que o LP seria mesmo outro: Edu e Tom, Tom e Edu. Sugeri então que o repertório fosse de canções do Tom e minhas e assim foi feito. Neste disco, pela primeira vez, foi gravada aquela belíssima canção do Tom, a valsa Luísa. O entrosamento foi perfeito: nenhuma dificuldade, problema, discussão. Era só alegria no estúdio.

Você tem alguma lembrança curiosa que tenha vivido na

companhia do Tom?

É impossível lembrar de alguma história especial com o Tom, porque foram milhares. Tudo era sempre muito engraçado, interessante, ele tinha um tipo de humor especial, com narrativas muitas vezes surrealistas, e no final, muito riso, sempre.

Se você tivesse que escolher uma obra-prima de Tom

Jobim, qual seria?

Não há nenhuma canção escrita pelo Tom de que eu consiga não gostar muito, por isso seria irresponsável até eu escolher algumas. O Tom era, ele mesmo, uma obra-prima.

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