O time italiano dos sonhos

Ele tem apenas dois nomes, Domenico Dolce e Stefano Gabbana, mas a sua influência já dura 20 anos de elegância e sensualidade

Simon Chilvers / GUARDIAN, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2010 | 00h00

Jeans de cintura hiperbaixa, descorados e rasgados, ternos agarrados, coletes informais, sapatos elegantes e trajes esportivos exclusivos. Se você acha que o seu guarda-roupa não foi influenciado pelo time italiano dos sonhos, Domenico Dolce e Stefano Gabbana, nas últimas duas décadas, então é melhor pensar de novo.

No fim de semana passado, o duo comemorou seu 20.º aniversário na confecção de trajes masculinos com um desfile em Milão e o lançamento de não uma, mas três coleções masculinas para primavera/verão 2011. A sensualidade siciliana para uma plateia de astros de Hollywood, como Morgan Freeman e Matthew McConaughey, o rosto da nova campanha do perfume The One, da Dolce & Gabbana.

Na passarela, com música ao vivo de Annie Lennox, um exército dos melhores modelos masculinos trajando roupas em estilo esportivos, desde os ternos jaquetão às malhas macias, calças com cordão no cós, combinadas com coletes sobre camisetas e, claro, cuecas e calças colantes.

A estética da Dolce & Gabbana não é uma unanimidade. Um colega descreve-a como "rica e Eurotrashy (lixo europeu) - o tipo de coisa que você espera ver num sábado à noite num clube em Mônaco". Outros acham que é a quintessência da elegância italiana. Mas, na minha opinião, todas as suas roupas têm alguma coisa especialmente sexy - experimentei recentemente um dos seus blazers e meu peito pareceu instantaneamente inflado.

Para mim, a sua loja na Old Bond Street, em Londres, resume o que é uma atitude machista glamourosa: ali estão os acessórios masculinos em preto por todo o lado, com uma suntuosa cortina de veludo preto na porta do provador.

O desfile da Dolce & Gabbana é famoso pelas camisas desabotoadas, as de estilo marinheiro, as bolsas e sacolas de crocodilo, mas o que a marca realmente oferece, e é o segredo do seu sucesso, são as roupas.

Para Jeremy Langmead, editor da Esquire, o brilho da grife está nas suas peças mais tradicionais. Para ele, este é um dos seus talentos menos notados. "A cintura marcada dos ternos, o caimento das calças, é tudo muito sexy e de maneira séria, muito sutil", diz ele.

Mas são as roupas sexy para fim de semana da marca italiana, contudo, que exercem mais influência sobre os consumidores. "Dolce & Gabbana têm um estilo muito forte; quando aparecem numa vitrine, chamam imediatamente a atenção", afirma Richard Johnson, gerente de compras de roupas masculinas na Harvey Nichols. Uma jaqueta estilo naval com debrum branco, esgotada numa loja de departamentos, foi muito copiada pelas lojas do centro, ele observa.

Refletores. A Zara - que tem uma jaqueta no mesmo estilo na vitrine da sua loja de Oxford Circus - com frequência exibe modelos no estilo Dolce & Gabbana, particularmente ternos usados com bonés - sinônimos da marca da elegância siciliana. Além do que, ter homens másculos como modelos mantém a grife sempre sob os refletores. "O seu desfile é o único em que você reconhece os modelos masculinos", afirma Langmead. "Eles colocam homens na passarela que não só dão a impressão de que podem se dar ao luxo de comprar essas roupas, mas parecem suficientemente fortes para usar esses tecidos mais pesados."

Enquanto muitas marcas retomaram o look do homem magro com aquele ar de abandono, Dolce & Gabbana se ateve às suas armas, criando um grupo de supermodelos masculinos no processo: Will Chalker, que entrou com um filhote de tigre num desfile em 2005, e David Gandy, que apareceu no comercial de TV do perfume Light Blue em 2007, são os exemplos mais recentes.

Johnson garante que a aliança que a marca fez com os esportistas também "ajudou a convencer os homens de que ela é importante para o seu estilo de vida". Num comunicado feito quando lançaram o livro Calcio, em 2004, dedicado aos futebolistas, os estilistas disseram que "os jogadores de futebol são os novos heróis".

Bem por isso, a coleção primavera/verão de 2004 foi aberta por um modelo estilo David Beckham usando uma camiseta com o número 7 - o mesmo do inglês no seu clube - e o jeans rasgado, marca da casa.

Posteriormente, diversos jogadores apareceram em várias campanhas publicitárias da grife. Mais recentemente um comercial inspirado na Copa do Mundo exibe jogadores italianos famosos usando roupas de baixo.

O aumento das vendas dos maiôs tipo sunga nas lojas também tem ligação com a marca. Quanto às discussões sobre o peito masculino à mostra, diante da recente popularidade das camisetas com decote em V, é bom saber que a Dolce & Gabbana lançou essa moda em 1991, mas com um colete com decote quadrado. E no próximo outono, quando todas as lojas estarão mostrando o novo "look", de calças enfiadas dentro das botas, você logo vai saber quem são os responsáveis: Dolce & Gabbana, primavera-verão 1991. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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