O testamento político de um mercenário

Se o fascínio pela ex-primeira-dama americana Jackie Kennedy estava ligado ao glamour, outras séries de serigrafias realizadas por Warhol refletem a necessidade de resistência política de um artista marcado pelo estigma da alienação. Em 1963, a cadeira elétrica que existia na prisão de Sing Sing, em Nova York, foi finalmente desativada. A foto que Andy Warhol escolheu para marcar sua posição contra a pena de morte foi a de uma câmara de execução vazia, em que a placa "silêncio" na entrada pede às testemunhas do crime do Estado um sinal de respeito diante da morte. Mais do que os 15 minutos de fama garantidos a todo ser que vive no planeta, Warhol atualiza o uso temático do "memento mori" na arte com o signo de uma injustiça americana. "Ele usa a cadeira como a cruz de Cristo, pois foi nela que morreram Sacco e Vanzetti e os Rosenberg", observa o curador Larratt-Smith, apontando outros exemplos do engajamento do artista, como a série que mostra um negro acossado por cães policiais. / A.G.F.

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