O tempo, senhor do território da imagem

Festival gaúcho propõe reflexão sobre o tema e faz homenagem a Farkas

Elder Ogliari / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2010 | 00h00

O Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre (FestFotoPoa) chega à 4.ª edição propondo reflexões sobre o tempo na fotografia em atividades como exposições, projeções, instalações, palestras, debates, seminários, oficinas e encontros com autores. A maratona, que vai até 7 de maio, está centralizada no Santander Cultural, no centro de Porto Alegre, mas também leva parte de suas peças a telas instaladas nos ônibus da capital gaúcha e de suas atividades à internet, no blog www.festfotopoa.com.br/2010/blog.

Sob o tema A Terceira Margem do Tempo Fotográfico... O Território da Fotografia, o festival parte do conceito do "instante decisivo", de Cartier-Bresson, passa pelo "alongamento do tempo fotográfico" e avança para o impacto das novas tecnologias, que levam a foto a incorporar o movimento. "A convergência entra foto e vídeo é inevitável", afirma o curador Carlos Carvalho.

Um exemplo de como essa convergência ocorre é um trabalho do paulista Breno Rotatori, que virou vinheta do festival. Ele deixa a câmera filmando um grupo familiar e mostra os preparativos e as expressões à espera do clique. "Ele narra partes importantes da história da fotografia, que, inegavelmente, passa pelos registros familiares."

A maioria dos trabalhos dos 52 participantes é exibida em vídeo em cinco salas. Numa delas, uma montagem de Zeca Linhares mostra elementos de arte contemporânea na obra de Henri Cartier-Bresson. Outras duas exibem trabalhos de convidados internacionais e novos talentos brasileiros. As duas restantes traçam painéis da foto moderna no País. Também há mostras individuais e instalações de Fernando Schmitt, Júlio Appel, Larissa Madsen, Gustavo Diehl, Denise Helfenstein, Jacqueline Joner e Tiago Coelho.

O homenageado do ano é o húngaro Thomaz Farkas, radicado em São Paulo, que é referencial da fotografia brasileira, por ter renovado sua linguagem com a busca de ângulos inusitados, e também do cinema nacional, por documentários que reveem o Brasil dos anos 60.

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