O teatro que deslumbrou São Paulo

O Teatro Brasileiro de Comédia inaugurou a era da profissionalização do teatro paulista. Atores da maior envergadura que conhecemos até hoje saíram das cascas pelo TBC: Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Maria Della Costa, Walmor Chagas, Tônia Carrero, Paulo Autran e Fernanda Montenegro. Representou uma ruptura entre o passado, na melhor tradição dComediantes, com Procópio Ferreira e Jaime Costa, e um novo presente formado pela classe burguesa, afeita aos padrões artísticos europeus na na virada dos 40 para os anos 50. Fundado em 1948, pelo industrial Franco Zampari, o TBC consolidou um patrimônio teatral considerável. Foram 144 espetáculos, quase 9 mil representações para cerca de dois milhões de espectadores. Para atender às exigências do público consumidor, o TBC contratou os primeiros diretores estrangeiros. Os italianos Adolfo Celi e Luciano Salce, o polonês Zbigniew Ziembinski e o belga Maurice Vaneau. Foi Celi quem formou o primeiro elenco permanente do TBC (com Cacilda Becker integrando o time), em 1949, instaurando o início de sua fase profissional.Em 1950, o TBC já era uma realidade promissora, com as montagens dos grandes clássicos e Abílio Pereira de Almeida. Adolfo Celi e Ruggero Jacobbi eram os diretores fixos da companhia. Glória e queda - O TBC transformava-se rapidamente no orgulho cultural de São Paulo. A euforia do sucesso levou Zampari a manter um elenco fixo do TBC também no Rio e Janeiro. Mas dois incêndios, um em São Paulo, outro no Rio, trouxeram graves prejuízos ao teatro. Artistas começam a criar suas próprias O Brasil começava a viver a febre do nacionalismo. Uma dramaturgia nacional companhias, como a de Nydia Lícia, Sérgio Cardoso e Bibi Ferreira; a de Tônia Carreiro, Adolfo Celi e Paulo Autran; e a de Cacilda Becker, Walmor Chagas, Cleide Iáconis e Ziembinski. Dez anos após sua criação, o TBC já estava abalado artística e financeiramente. A crise se agravou assim que Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Sérgio Brito, Ítalo Rossi e Gianni Ratto saíram para fundar o Teatro dos Sete. Bem que Flavio Rangel tentou uma nova política de repertório, mas nem o sucesso de O Pagador de Promessas resgatou o TBC de seu inferno astral. Em 1961, Zampari anunciava o fechamento do TBC. A partir daí, o Governo do Estado intervém para garantir a sobrevivência da companhia, mas o teatro não era mais o mesmo. Permaneceria como casa de espetáculos, mas sem o brilho de uma companhia teatral que marcara indelevelmente a classe burguesa de São Paulo. Fênix - O velho TBC, à rua Major Diogo, 315, voltou à ativa em setembro de 1999, após um ano de reformas patrocinadas pelo empresário Marcos Tidemann, que arrendou o teatro por cinco anos, com o objetivo de desenvolver ali um projeto cultural que retomasse a importância histórica do local. O projeto, que envolveu investimentos da ordem de R$ 3.900 milhões, restaurou radicalmente as quatro salas, reformou o hall de entrada, criou uma sala de ensaios. Além dos projetos da casa, como a produção dos musicais e da criação de um prêmio que contemple várias categorias teatrais o Cacilda Becker, a ser divulgado ainda este ano , o TBC continua com sua política de ocupação das salas para espetáculos e projetos de diferentes formatos. É bom ficar de olho na programação em cartaz e no que vem por aí. Por exemplo, O Rei da Vela, de Oswald de Andrade e direção de Enrique Diaz, que depois da temporada carioca estreará no TBC, no dia 30 de junho.

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