O soul de Selah

E a ola de cantoras talhadas nos moldes do soul - antigo e moderno - continua a molhar areias pela Europa e pelos Estados Unidos. A mais recente novidade a chegar no Brasil em cópia física, via Warner Music, chama-se Selah Sue, belga com ecos de Amy Winehouse, produção a la Erykah Badu e um charmão de Joss Stone. Por parte da Warner, trata-se de uma aposta em tendências óbvias: enquanto o pop soul de Adele continua a quebrar recordes (seu disco 21 já vendeu 10 milhões e continua em primeiro lugar, mais de um ano após a estreia), a ideia é lançar garotas que tenham um glamour de soulwoman (aqui em versão hippie chique) e que façam "frente a Adele e Lana Del Rey", de acordo com o release.

ROBERTO NASCIMENTO, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2012 | 03h08

Mas os hits sensuais de Selah Sue têm pouco a oferecer se forem comparados a Video Games, de Lana, ou Rolling in the Deep, de Adele. Suas canções parecem estar despreocupadas em destilar esse tipo de mel pop. São meros veículos para seus trejeitos sensuais, para os sussurros e gemidos que compõem sua identidade musical. O que sobressai é a voz calcada no vernáculo soul - um tanto rouca e nasalada como a de Amy - e a produção ritmada, com fortes temperos de dub e hip-hop, aquele lugar comum em discos de cantoras jovens hypadas (se fosse brasileira, Selah Sue disputaria fãs com Céu). Funcionou na Bélgica, onde a cantora chegou ao topo das paradas com o disco no ano passado, e consequentemente chamou a atenção da Europa.

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