O sonho não acabou

Obra de Taiguara renasce com uma série de projetos

RENATO VIEIRA, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2014 | 03h13

Durante boa parte de sua trajetória, Taiguara foi silenciado. No início dos anos 1970, o intérprete e autor de sucessos românticos como Hoje e Universo no Teu Corpo mudou o foco para canções sobre amor livre, liberdade e igualdade. Os vetos da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) às suas letras se tornaram corriqueiros e fizeram dele o compositor mais censurado do Brasil. O disco Imyra, Tayra, Ipy, Taiguara (1976) foi recolhido por determinação do órgão logo após chegar às lojas. As gravações ficaram raras a partir da década de 80 e seu discurso a favor do comunismo fechou-lhe portas na mídia. Em 1996, quando o sonho de ver as crianças cantando livres havia sido realizado, um câncer o calou de vez.

Mas a voz e as ideias de Taiguara voltam a ressoar com força em uma série de projetos que começam a tomar forma neste ano. Um show tendo o repertório de Imyra como base ocorre na sexta-feira e sábado, no Sesc Belenzinho. A banda é formada por músicos que estiveram na gravação do disco, entre eles Toninho Horta (violão e guitarra), Jaques Morelenbaum (cello) e Wagner Tiso (piano e direção musical). A gravadora Kuarup, que relançou o álbum no ano passado, prepara a edição de Ele Vive, CD com gravações inéditas e faixas ao vivo, que deve chegar às lojas em outubro. Mesmo mês em que sai Os Outubros de Taiguara, biografia escrita por Janes Rocha. Um documentário está em fase de concepção e deve chegar às telas em 2015, quando Taiguara completaria 70 anos.

A missão da Kuarup é organizar o acervo da família de Taiguara e estabelecer acordos para que sua obra seja (re)conhecida. O relançamento de Imyra, segundo Ricardo Cantaluppi, diretor de operações da gravadora, é sinal de que o público tem interesse em seu trabalho. O disco estava em poder da EMI e a tiragem inicial da reedição se esgotou rapidamente. "As pessoas têm curiosidade em conhecer o que Taiguara fez. Elas se surpreendem, especialmente, com Imyra, que é o seu trabalho mais grandioso", ressalta.

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