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O silêncio do piano de Pinetop Perkins

Pianista e cantor de blues morreu aos 97 anos, nos Estados Unidos

, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2011 | 00h00

Considerado um dos últimos sobreviventes do Delta Blues - vertente do gênero americano surgida no delta do rio Mississippi -, o pianista e cantor Pinetop Perkins morreu anteontem, em sua casa, em Austin, no Texas, aos 97 anos. A informação foi confirmada por Hugh Southard, seu agente desde 1996. Segundo ele, o artista sentia dores no peito quando foi dormir após o almoço e os médicos não puderam reanimá-lo depois de um ataque cardíaco fulminante.

Nascido com o nome de Joseph William Perkins, Pinetop tornou-se em fevereiro deste ano o músico mais velho a ganhar um Grammy, ao ser premiado por seu disco - e último trabalho lançado - Joined at the Hip: Pinetop Perkins & Willie "Big Eyes" Smith, categoria melhor álbum de blues tradicional, em 2010.

Basicamente um sideman ao longo de toda sua carreira, Perkins sempre lançou discos que levassem seu nome no título até completar 75 anos. Desde então, gravou mais uma dúzia de álbuns, em que atuou como líder da banda, entre eles, Pinetop Perkins & Friends, em que contou com participações especiais de nomes como B.B. King e Eric Clapton.

Quando jovem, o primeiro instrumento no qual Perkins se aventurou foi a guitarra, mas, devido a um acidente, em 1943, ele teve o braço esquerdo perfurado por uma faca, ferindo vários tendões e comprometendo alguns movimentos. Foi então que ele decidiu tocar piano.

Boêmio nato, o músico declarou em entrevistas que começou a fumar aos 9 anos e nunca deixou de beber até completar 82. Problemas de saúde causados pelos vícios à parte, Perkins foi um artista extremamente prolífico, gravando 17 discos de 1976 até sua morte. Além disso, foi um pianista seminal para o blues, tendo influenciado não somente artistas ligados ao gênero, mas também nomes como Elton John, Billy Joel e Gregg Allman.

Perkins conquistou o sucesso nas décadas de 1940 e 1950. No início, acompanhava Sonny Boy Williamson no programa de rádio King Biscuit Boys, após mudar-se de Belzoni, no Mississippi, onde nasceu, para Helena, em Arkansas. Depois, passou a tocar com os guitarristas Earl Hooker e Muddy Waters, no fim da década de 1960. Perkins seguiu cantando e tocando piano nos grupos até os anos 1980, quando decidiu se dedicar exclusivamente a sua carreira solo.

Ele havia ganhado o apelido em 1953 depois de gravar sua primeira versão para o tema Pinetop"s Boogie Woogie, do lendário pianista Clarence Pinetop Smith.

Além de conquistar outros prêmios Grammy, em 2000, Perkins foi contemplado com o National Heritage Fellowship, da Fundação Nacional de Artes, uma das premiações mais conceituados da música tradicional americana. / COM THE NEW YORK TIMES E AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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