O silência é de ouro

O Artista, filme mudo francês, divide com Os Descendentes prêmios da imprensa estrangeira de Hollywood

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2012 | 03h08

Se a tradição diz que o Globo de Ouro é uma da principais prévias do Oscar, pode-se afirmar que neste 69.º ano a tradição foi levemente quebrada. Apesar de O Artista e Os Descendentes terem saído como vencedores da noite de domingo, quando foram premiados os melhores filmes e séries de TV de 2011, houve pulverização na escolha dos prêmios principais. E vai ser difícil usar o prêmio da crítica internacional de Hollywood para fazer apostas certeiras para o Oscar, cujos indicados serão divulgados no dia 24. Apesar de ter levado três dos seis prêmios a que foi indicado (melhor comédia, ator de comédia para Juan Dujardin e trilha sonora), O Artista dificilmente levará a estatueta. Seria muita ousadia da Academia eleger um filme francês mudo em preto e branco como grande vencedor. Resta saber se a escolha cairá sobre Os Descendentes, melhor filme em drama.

O longa dirigido por Alexander Payne também rendeu o prêmio de melhor ator por comédia ou musical para Juan Dujardin, que fez discurso emocionado e sincero. "Sempre me disseram que eu não poderia ser ator porque meu rosto é muito expressivo. Hoje eu agradeço a todos que disseram isso. Além das minhas sobrancelhas que têm vida própria, eu estou conseguindo adaptar meu rosto."

O prêmio de melhor ator em drama também foi para um ator de sobrancelhas marcantes: George Clooney, que também foi destaque na noite pelo seu trabalho de diretor e ator no ótimo Tudo pelo Poder. Mas levou o prêmio de atuação por Os Descendentes e fez questão de ser elegante e destacar (e também fazer piada) com seus concorrentes, o amigo Brad Pitt, que disputava com O Homem Que Mudou o Jogo e cuja atuação ele disse admirar muito, e com o galã do momento Michael Fassbender, com Shame. Clooney também bateu outros dois concorrentes de peso, Leonardo DiCaprio, com o polêmico J. Edgar, e Ryan Gosling, com Tudo pelo Poder. Antes de seguir, vale lembrar que a melhor atriz em drama foi Meryl Streep, pelo papel da controversa ex-premiê britânica Margaret Thatcher em A Dama de Ferro.

O melhor diretor da noite foi Martin Scorsese, que, com A Invenção de Hugo Cabret, bateu nomes como Clooney, Michel Hazanavicius (O Artista), Alexander Payney (Os Descendentes) e Woody Allen, por Meia-Noite em Paris.

Allen levou melhor roteiro, mas, como algumas tradições têm de ser mantidas, não compareceu à premiação. Foi poupado de ser alvo das piadas ácidas do comediante britânico Ricky Gervais, que apresentou a cerimônia pela terceira vez. Exibindo o melhor do 'english humor', Gervais conseguiu dar um pouco de irreverência a uma cerimônia que tinha tudo para ser mais uma daquelas protocolares, aborrecidas e arrastadas noites do cinemão. Ele, que havia roubado a cena em 2011, quando não poupou ninguém (principalmente Mel Gibson), neste ano entrou no palco com um copo de bebida e uma lista de piadas que não poderia fazer. Não poderia, claro, fazer piada sobre Gibson. Mas não poupou Johnny Depp, que subiu ao palco logo no início da noite e ouviu um sonoro: "Você já assistiu a O Turista?", em referência ao filme que o ator não tinha visto em 2011. Depp rebateu: "Não". E arrancou gargalhadas da plateia.

Madonna surpreendeu ao levar o prêmio de canção original por Masterpiece, canção que relutou em compor para seu próprio W.E .

Na lista da TV, a melhor série foi Homeland, que também rendeu o prêmio de melhor atriz para Claire Danes. Já o melhor ator foi Kelsey Grammer, por Boss. Laura Dern foi o destaque em musical ou comédia por Enlightenment e garantiu a sobrevida da série da HBO.

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