O sentimento ficou fora do quarto

Duas moças, uma espanhola, Alba (Elena Anaya), outra russa, Natasha (Natasha Yarovenko), se conhecem num bar em Roma e, meio embriagadas, resolvem terminar a noite no hotel de uma delas. É assim o início, meio e fim deste Um Quarto em Roma, do espanhol Julio Medem, o mesmo de Os Amantes do Círculo Polar. Das duas garotas, sabe-se que uma é lésbica e a outra está de casamento marcado com um rapaz em seu país. E é só. As duas vão passar a noite se descobrindo - em mais de um sentido do termo. A proposta de Medem, parece, é explorar meandros da sexualidade feminina, com bom gosto, mas sem disfarces.

Luiz Zanin Oricchio / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

Se as primeiras cenas parecem cálidas, a sua reiteração as torna banais. E, à força da repetição, enfadonhas. É como se dois corpos jovens e belos, pelo excesso de exposição, acabassem por se despir de todo caráter erótico que poderiam ter no início. Medem parece fazer seu pior trabalho. O cerebralismo vazio parece se unir a um exibicionismo sexual fashion sem consequência. Não conseguimos enxergar humanidade naquelas duas belas moças que se entregam ao prazer de maneira aeróbica. Tudo cai no vazio, não de maneira crítica, mas porque foi pensado no vácuo e sem aprofundamento nos sentimentos das personagens.

Trailer. Assista a trechos de Um Quarto em Roma

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.