O senhor das pin-ups

Biografia do ilustrador Benicio faz inventário do erotismo desenhado, que povoa a imaginação nacional

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h09

E Benicio Criou a Mulher...

O título da biografia cita o filme de Roger Vadim, E Deus Criou a Mulher, de 1956, que lançou ao mundo a maior de todas as pin-ups do cinema, a francesa Brigitte Bardot. Nada mais justo para com o ilustrador José Luiz Benicio da Fonseca, o Benicio, de 76 anos. Do lado de cá do Paraíso, Benicio desenhou as curvas mais perfeitas das mulheres de papel do Brasil.

O escritor e jornalista Gonçalo Junior é o autor da biografia desse gaúcho que será lançada hoje em São Paulo, na Livraria da Vila. Benicio fez mais de 300 cartazes de cinema entre 1965 e 1985, de A Madona de Cedro a Independência ou Morte, de O Casamento ao clássico Dona Flor e Seus Dois Maridos, chegando aos recentes Pelé Eterno e o primeiro filme do Casseta & Planeta.

Discípulo do norte-americano Norman Rockwell, o artista gráfico produziu também os pôsteres de todos os 31 filmes de Os Trapalhões feitos de 1974 a 1991. É o autor daquela Vera Fischer avassaladoramente irresistível no cartaz de A Super Fêmea, de Anibal Massaini Neto. Aprimorou os dotes naturais de Leila Diniz, Kátia D'Angelo, Marlene Silva, Eva Wilma, Maria Lúcia Dahl.

Fez capas das revistas Playboy, Veja, Ele&Ela, Status. Fez folhinha de calendário para a Shell, nos anos 60. Desenhou 2 mil capas da espiã Brigitte Montfort para a editora Monterrey, em 1963. A biografia traz raridades gráficas. Recupera, por exemplo, os frontispícios dos pocket books da Monterrey, em preto e branco. E um esboço a lápis, e por fim o mesmo desenho finalizado.

Benicio também trabalhou em anúncios para as agências McCann-Erickson, Denison e Artplan e outras. Ilustrou marcas como Coca-Cola, Esso, Banco do Brasil. Gonçalo Junior aprimorou um perfil biográfico que já tinha publicado pela Editora Cluq EM 2006. O livro agora tem 400 páginas. Novos aspectos do trabalho de Benicio são revelados, como seu coté de pianista (chegou a ser paparicado por gravadoras, mas preferiu o desenho); a infância pobre em Porto Alegre, os primeiros trabalhos como ilustrador, a entrada no cinema. E as influências, entre as quais os pintores impressionistas, Lautrec, Serrat e Monet.

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